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O violinista Pinchas Zukerman abre com a Oesp Festival de Inverno

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30/06/2011 | Notícia Simesp

O violinista Pinchas Zukerman abre com a Oesp Festival de Inverno

Com o violinista e maestro Pinchas Zukerman à frente da Osesp, será aberto no sábado o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Mais tradicional evento pedagógico da América Latina, ele será realizado até o dia 23 e vai ter apresentações em diversas cidades do interior – principal novidade de uma edição mais enxuta.

Com relação ao ano passado, o festival diminuiu – ao menos nos números. O orçamento total é de R$ 5,5 milhões, R$ 1 milhão a menos. Serão 55 concertos, ante 83 em 2010, realizados ao longo de 20 dias (no ano passado foram 29). Para o diretor artístico e pedagógico Paulo Zuben, no entanto, não há evidências de retrocesso – ou estagnação.

"As propostas artísticas continuam a se desenvolver", diz. "A introdução da música barroca e da produção contemporânea, por exemplo, se mantém, com mais concertos e master classes e a presença de grupos importantes, como o Quarteto Arditti, que não apenas se apresentará como dará aulas e vai interpretar obras de alunos de composição do festival. A ópera também está de volta, com A Flauta Mágica, de Mozart. Pela primeira vez teremos uma orquestra internacional, a Sinfônica do Porto, ao lado dos nossos principais conjuntos, com a Filarmônica de Minas Gerais e a Petrobrás Sinfônica", afirma.

A programação de Campos se equilibra entre a função pedagógica e a apresentação de grandes estrelas do cenário musical. Para Zuben, esses elementos precisam dialogar. "O festival permite trazer ao Brasil músicos importantes e é fundamental que eles atuem como professores, orientando os alunos. Na última semana, por exemplo, o maestro Frank Shipway esteve por aqui preparando um programa com a Sinfônica Jovem do Estado. É uma oportunidade única."

Zuben ressalta ainda dois eixos fundamentais na programação. O primeiro é a atividade da orquestra de alunos do festival. "Acredito que encontramos o modelo ideal, com a participação do maestro Claudio Cruz, que vai trabalhar com os jovens desde o início do festival, além de acompanhá-los durante a turnê pelo interior. Essa convivência é mais longa, não se resume a um ou dois concertos."

O segundo é o desenvolvimento da prática de música de câmara. "Há uma tendência a colocar todos os esforços na música sinfônica, estimulando os jovens a tocar em orquestras. O único mal nisso é acabar deixando de lado um repertório de câmara incrível, que é uma opção muito boa não apenas em termos de formação mas também de caminho profissional. Dessa forma, alunos e professores terão a oportunidade de montar programas e tocá-los. E, mais do que isso, vários conjuntos camerísticos, como os Zukerman Chamber Players, passarão ao menos uma semana em Campos, oferecendo uma vivência mais completa desse tipo de prática."

Sonoridade calorosa em programa com a orquestra de Roterdã
Crítica: João Marcos Coelho
ÓTIMO

As aveludadas cordas da Filarmônica de Roterdã transformaram num acontecimento musicalmente mais atraente o concerto da fria terça-feira na Sala São Paulo. Mesmo nos "tutti" da Quarta de Tchaikovski ou do Ensaio n.º 2 de Samuel Barber, sua sonoridade escura e adocicada sobressaía. Nas passagens mais líricas, tanto numa quanto noutra obra, essa característica tão marcante parecia envolver calorosamente a sala inteira.

Mas havia mais atrativos naquela noite. O regente norte-americano Leonard Slatkin, de 66 anos, regeu de cor. Pode ter adotado o costume depois do vexame público de março de 2010 nos ensaios de uma montagem da Traviata na Metropolitan Opera House de Nova York, quando cantores do calibre de Thomas Hampson e Angela Gheorghiu e os músicos perceberam que o maestro nem sequer conhecia a partitura. Slatkin justificou-se em seu blog: "Não faço ópera com frequência e jamais regi uma Traviata, mas como todos lá a conhecem bem, achei que poderia aprendê-la com os mestres. Nos ensaios, parecia que eu era o único que jamais participara de uma montagem dessa ópera. Percebi cenhos franzidos, sobrancelhas levantadas". Anthony Tommasini, crítico do New York Times, foi um dos que bateram forte no maestro: "Não parece a melhor ideia um maestro aproveitar a oportunidade de reger no Met para ‘aprender’ a Traviata".

O episódio arranhou-lhe a reputação. Até certo ponto injustamente. Afinal, Slatkin é ótimo regente quando rege o que conhece. Aliás, episódios semelhantes com maestros brasileiros também costumam ocorrer por aqui com certa frequência; o cidadão sobe ao pódio para ensaiar uma obra que simplesmente não conhece. Mas Slatkin comprovou suas qualidades no Essay n.º 2 de Samuel Barber, cujo centenário de nascimento foi comemorado em 2010. Barber é o típico compositor que pratica o que Liszt, radical em tudo que fez, chamou certa ocasião de "inovação permissível", ou seja, jamais corre risco de desagradar a alguém. As más línguas dizem que ele foi o único compositor no século 20 a sobreviver de seus ganhos exclusivamente como compositor.

Com Haydn, no século 18, isso só aconteceu no final da vida, quando o florescente e pioneiro mercado inglês de concertos o transformou numa superstar. Faturando bem pela primeira vez na vida em sua segunda turnê londrina, ele fazia de tudo para mimar e surpreender o público inglês – com uma diferença: ele era gênio acabado. Incrementou, por exemplo, com tambor, trompete e flautim a Sinfonia n.º 100, apelidada "Militar", só para levar o público ao delírio. Mas a obra não se reduz aos seus efeitos, como bem demonstrou a regência discreta de Slatkin. É inovadora no formato de seus temas, no desenvolvimento inesperado, na assimetria de construção.

E Tchaikovski? Bem, o compositor russo é um matador, sempre vai direto ao ponto. Explora como ninguém todos os recursos da orquestra. Já houve quem dissesse que depois dele era preciso mudar o teodolito da criação orquestral – pois ele levara aquela linguagem ao limite. Como não se encantar com o delicioso pizzicato ostinato do scherzo? Ou com o tema do destino que a todo momento nos lembra, com uma pitada trágica, do drama pessoal do compositor? Roterdã tem madeiras excelentes, assim como metais muito bons. As aveludadas cordas completaram uma vibrante leitura da Sinfonia n.º 4.

O Festival de Inverno de Campos do Jordão começa neste final de semana. De 1º a 24 de julho, dezenas de atrações de música erudita poderão ser vistas na cidade.

Informações: www.festivalcamposdojordao.org.br