RIO – Vitor Araújo, o pianista que, em 2008, aos 18 anos, chamou a atenção no CD/DVD "Toc" por misturar Radiohead com Villa-Lobos e levar informalidade roqueira a um concerto de piano (a imagem dele pisando com seu All Star nas teclas ficou marcada), quer seguir explorando novos terrenos. Em "Angústia", que estreia hoje em São Paulo (na sala Crisantempo, onde fica até novembro, sempre às terças-feiras), ele constrói um show em que une imagens, textos e luz em torno da música, que ele faz questão de afirmar como o centro de tudo.
– Até estou me forçando a não usar a palavra espetáculo, e sim concerto, para falar de "Angústia" – conta Vitor. – Porque 90% da coisa sou eu tocando, a música ainda é a grande arte ali.
Para ajudá-lo na concepção de "Angústia", Vitor convidou o cineasta Lírio Ferreira para dirigi-lo – é a primeira experiência do diretor com um show/concerto.
– Estava com um conceito pronto na cabeça, mas queria ter alguém para transformar aquilo em imagem – explica Vitor. – E esse alguém tinha que ser um cineasta e tinha que ser o Lírio. Todos os filmes dele têm uma beleza plástica muito grande. Uma vez vi Zé Celso resumir isso muito bem falando com ele: "Nunca vi ninguém filmar pedra tão lindo quanto você". Queria essa beleza num concerto de piano.
Em "Angústia", com uma iluminação que tende à penumbra ("Às vezes, mal dá para me ver"), ouve-se Vitor ler textos de Graciliano Ramos, Manuel Bandeira, Aldir Blanc, Arnaldo Antunes, Augusto dos Anjos e dele próprio. As imagens, projetadas em cortinas de tule dispostas em diferentes camadas no palco, reúnem imagens simplesmente plásticas e outras que narram uma história de um pianista em dois momentos, na infância e aos 40 anos, desiludido.
– Minha ideia era falar sobre paixões humanas. "Angústia" é o primeiro capítulo, depois vêm "Infância" e "Orgasmo" – diz. – Em "Angústia", começo a falar sobre paixões a partir de alguém que abandona as suas para fazer o que é necessário.
O repertório traz músicas inéditas de Vitor e composições de artistas como Tom Zé e Lorenzo Fernández. Ele também faz um dueto com uma vitrola tocando um vinil ("Uns dias a trilha de `Taxi driver`, outros a de `O último tango em Paris`", conta), além de emular uma orquestra de pianos sobrepondo loops feitos ao vivo.
– Meu plano é fazer uma turnê nacional de "Angústia" em 2012 – adianta.