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O músico Siba responde a cinco perguntas sobre a nova fase de seu trabalho

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09/03/2012 | Notícia Simesp

O músico Siba responde a cinco perguntas sobre a nova fase de seu trabalho

O cantor recifense acaba de ancorar na capital paulistana. A mudança não foi só geográfica. No novo disco, Avante, Siba deixa a rabeca de lado e adere à guitarra, depois de vinte anos imerso em ritmos mais tradicionais como o maracatu, a ciranda, entre outros.

Leia o breve questionário que elaboramos para o compositor, ex-líder da Fuloresta do Samba e do Mestre Ambrósio:

Você acaba de voltar para São Paulo depois de um longo período em Nazaré. De que forma essa mudança refletiu em seu trabalho?

Não dá para desassociar os dois fatos. Tudo vem junto para mim: a vida, o que estou fazendo no momento, onde moro e com quem trabalho. Embora o senso comum possa apontar para um álbum mais elétrico, pelo fato de eu estar em São Paulo, o que acontece é o contrário. As mudanças da minha música e da minha concepção como artista me trouxeram pra cá. Além de eu gostar demais da cidade e também ter todos meus amigos aqui, o estilo de vida de São Paulo me agrada muito. Tudo isso junto me trouxe de volta.

Você disse que em Nazaré a música não era só um produto, era vivida e criada no dia-a-dia. Tem algum lugar em São Paulo onde você se inspira ou cria?

A inspiração relacionada a algum lugar não é, para mim, determinante. O que existe é uma relação de confluência entre o momento, o tempo e o espaço onde você está. Ela pode ou não criar uma situação que de alguma forma ilumine o seu processo criativo. A cidade de São Paulo me abre muitas portas profissionais e é um lugar que me possibilita um tipo de vida pessoal muito agradável e confortável. Por isso me inspiro aqui. Além do que, um lugar que essencialmente tem que me estimular sempre – e eu cuido para que seja assim – é a minha casa. Onde quer que ela esteja, é a principal fonte.

Quando saiu do Nordeste, você se questionava que artista era e que tipo de música queria. Hoje essas questões já foram respondidas?

Elas estão sempre na mesa, são as primeiras questões que tento me colocar. Nunca vão ser completamente respondidas, pelo menos espero, pois é isso que faz com que eu consiga me movimentar de tempos em tempos. No momento, a resposta é o meu trabalho, principalmente o show, que acontece a partir do disco, da sua concepção, e que vai ter uma vida de alguns anos. A partir disso, as questões se renovam, surge a busca para um novo momento que virá num futuro próximo.

Ulisses foi o primeiro herói do seu filho. Qual foi o seu primeiro herói?

Pergunta difícil. Não sei exatamente, talvez o meu avô, um senhor que eu e a família inteira admirávamos muito. Era um tipo de herói distante, um agricultor de setenta anos na época. O que tenho certeza é de que ele e meu pai foram os primeiros. Agora, o de fantasia talvez o Lampião, porque era uma figura do imaginário heroico do ambiente em que eu vivia.

Tem algum fã, alguém que você saiba que gosta da sua música, e que você admire também?

Complicado, pois vou ter que dizer que alguém é meu fã, uma posição meio curiosa. O que posso dizer é que a Céu assumidamente admira meu trabalho e que é uma pessoa que admiro muito no cenário atual da música brasileira.