Simesp

Nova diretoria do Simesp toma posse e alerta para ameaças aos direitos médicos

Home > Nova diretoria do Simesp toma posse e alerta para ameaças aos direitos médicos
07/07/2017 | Notícia Simesp

Nova diretoria do Simesp toma posse e alerta para ameaças aos direitos médicos

A nova diretoria do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) tomou posse na noite da última segunda-feira, 3, em evento realizado na sede do sindicato. Para conhecer os nomes da atual gestão, que dura três anos, clique aqui.

“Essa reeleição foi muito importante pelo momento que o país vive, momento esse em que os ânimos políticos estão acirrados e observamos avanços perigosos entre os direitos trabalhistas e direitos sociais que foram adquiridos com muita luta pela sociedade brasileira e que agora estão ameaçados”, contou Eder Gatti, presidente reeleito durante seu discurso. E complementou: “A vitória neste campo mostra que dentro do movimento médico existe uma força progressista que luta pelos direitos do médico, da sociedade, da saúde, do trabalhador e levaremos isso adiante. Esperamos ser o foco de resistência dentro da medicina contra interesses que ameaçam o Sistema Único de Saúde e o médico na sua condição de trabalhador.”

Segundo Mayara Tiemi, nova diretora da Secretaria de Administração, defender a residência médica, melhores condições de trabalho e licença-maternidade para as médicas residentes são pautas importantes da nova diretoria. “Hoje em dia, mais do que nunca, frente às ameaças, isso é muito importante: defender o direito do cidadão à saúde.”

Gabriela Cerqueira, nova diretora da Secretaria Geral, complementa a fala de Mayara. “Estamos em um momento no Brasil de perdas de muitos direitos, isso precariza o trabalho médico. Então acredito que compor uma diretoria do Sindicato nesse momento é muito importante para defender os direitos dos médicos e também o direito da população de ter uma saúde de qualidade”, opinião corroborada por Pedro Bonequini, novo diretor adjunto da Secretaria de Comunicações e Imprensa.

Para Daniela Menezes, membro da Comissão Eleitoral, é importante para o médico, especialmente para o médico jovem, que está entrando no mercado de trabalho, saber que o Sindicato existe, que ele está aberto e que pode ajudar a construir um processo democrático.

Rafael dos Santos, novo diretor da Secretaria de Comunicações (trabalhará em conjunto com Gerson Salvador, secretário da mesma pasta), explica que sua atuação será para ter um contato mais próximo com os profissionais jovens. “Os médicos estão entrando no mercado com uma condição muito ruim de trabalho e a minha ideia é que eles possam fazer mais parte do Simesp. O que mais afeta a gente é a precarização dos vínculos de trabalho.”

Dispõe da mesma opinião Ademir Lopes Junior, novo secretário de Formação Sindical e Sindicalização do Simesp, que ainda explica a importância de também ampliar o debate sobre os direitos das mulheres e dos direitos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), que foram colocados na nossa plataforma e que a gente vai ampliar essa discussão nos próximos três anos.”

Ex-presidentes do Simesp prestigiaram a solenidade de posse da nova diretoria e falaram dos desafios numa era de expectativas decrescentes:

Agrimeron Cavalcante da Costa (primeiro presidente do Simesp, entre 1978 e 1981, depois da eclosão do movimento conhecido como Renovação Médica)
“Hoje na saúde nós temos grandes problemas relacionados tanto com o trabalho dos médicos, quanto com questões relacionadas à assistência propriamente dita. Muitas coisas hoje têm que ser revistas e o Simesp pode ter um papel muito importante nisso.”

Arlindo Chignalia (deputado federal e presidente do Simesp entre 1984 e 1991)
“Toda diretoria que vence uma eleição está credenciada por aquilo que ela apresentou como seu programa. Como aqui foi uma reeleição, evidentemente que tem uma continuidade de um trabalho já executado e que foi aprovado e com os desafios que se sucedem em que pese ter linhas gerais que comprometem a saúde no Brasil, a exemplo o financiamento, as facilidades que os planos e seguradoras de saúde têm, a falta de concursos públicos, os baixos salários… São problemas tão antigos quanto atuais. Portanto, eu creio que essa nova diretoria é, ao mesmo tempo, herdeira e protagonista de uma luta que não começou hoje, mas que tem que continuar e ganhou as eleições exatamente por ser a representação de um movimento muito mais amplo.”

Cid Célio Jayme Carvalhaes (presidente do Simesp entre 2005 e 2014 e membro do conselho fiscal da atual gestão)
“A expectativa para a nova gestão é muito positiva, com um pessoal mais jovem que mesclou com a experiência dos mais antigos. Nesta primeira gestão isso deu um resultado positivo. O país vive um momento muito difícil, delicado e a saúde pública, assim como a saúde suplementar, tem sido alvo de exploração econômica, financeira e perseguição de lucro fácil, sacrificando e até mesmo impedindo a assistência adequada.”

Eurípedes Balsanufo (presidente do Simesp entre 1991 e 1993 e membro do conselho fiscal da atual gestão)
“A eleição no Sindicato acontece num momento em que a sociedade brasileira está extremamente polarizada… Eu espero que a diretoria do Sindicato impulsione a luta do conjunto da sociedade, dos movimentos sociais. Para que, primeiro, consiga brecar as reformas. E se não conseguir brecar, que elas sejam minoradas. E, principalmente, para que haja eleições diretas com eleição de um novo presidente ou presidenta da República.”

José Erivalder Guimarães de Oliveira (presidente do Simesp entre 1996 e 2005 e atual secretário de Relações do Trabalho)
“A expectativa é a melhor possível porque nós saímos de um pleito extremamente difícil, onde a chapa vencedora representa a categoria que deseja que esse Sindicato continue sendo combativo, continue lutando para a manutenção das conquistas sociais e trabalhistas do nosso país e certamente essa nova diretoria, extremamente renovada, irá responder a essas expectativas daqueles que votaram nela.”