Sob o falso discurso do “combate ao narcoterrorismo”, o atual governo estadunidense busca justificar sanções, ações militares, persegui*ções políticas e intervenções que apenas aprofundam o sofrimento da população tanto de seu próprio país quanto da América Latina, principalmente a Venezuela. Trata-se de uma narrativa conhecida, historicamente utilizada para legitimar violações de direitos humanos, ataques à soberania dos países e o enfraquecimento das condições de vida da classe trabalhadora.
A chamada “guerra às drogas” é um exemplo claro dessa lógica perversa. No Brasil, esse modelo tem significado o genocídio da população negra e periférica, o encarceramento em massa de jovens e a militarização dos territórios, sem qualquer compromisso real com a saúde pública. Na Venezuela e em outros países da América Latina, esse mesmo discurso serve como pretexto para ações racistas e violentas, com operações que vitimam trabalhadores e comunidades inteiras, aprofundando o sofrimento social.
Em vez de políticas de cuidado, prevenção e redução de danos, o que se impõe é a repressão, a morte e a exclusão. Combater essa política é também defender uma saúde pública baseada em direitos da população, com fortalecimento de serviços como os Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps-AD), políticas de redução de danos e atenção integral às populações mais vulnerabilizadas.
Além disso, a atuação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE, da sigla em inglês) tem se tornado cada vez mais uma máquina de repressão que persegue e criminaliza trabalhadores em busca de uma vida digna e de melhores oportunidades, aprofundando medo e insegurança em comunidades inteiras.
Essa lógica autoritária ficou ainda mais explícita com a morte do enfermeiro intensivista Alex Pretti, um profissional de saúde de 37 anos que foi baleado fatalmente por agentes federais em Minneapolis durante uma operação de imigração, apesar de ser lembrado por familiares e colegas como alguém dedicado a cuidar de outras pessoas e sem antecedentes criminais conhecidos — um episódio que gerou protestos e pedidos de responsabilização por parte de líderes e associações profissionais, e que levanta questões urgentes sobre o uso injustificado da força e a desumanização de quem migra ou defende direitos humanos sob a justificativa da “segurança” e do combate à imigração irregular.
Tendo em vista o cenário devastador, o Simesp manifesta sua solidariedade internacional ao povo trabalhador, sobretudo aos venezuelanos, que vem sofrendo diante da intensificação da ofensiva liderada pelos Estados Unidos, impulsionada pelo imperialismo trumpista, e por uma política externa marcada pela violência, pelo racismo e pela criminalização de povos latino-americanos.
É fundamental afirmar que nossa solidariedade é dirigida ao povo trabalhador venezuelano, e não uma defesa acrítica de seu governo. Reconhecemos que o governo de Nicolás Maduro não representa, em si, um projeto da classe trabalhadora e enfrenta contradições e críticas legítimas. Ainda assim, nada justifica as ações do governo Trump que ampliam a violência, a instabilidade e a precarização das condições de vida da população.
Reafirmamos a importância da solidariedade internacional da classe trabalhadora, do enfrentamento ao trumpismo e a todas as formas de imperialismo, e da defesa da vida, da soberania dos povos e de políticas públicas comprometidas com o cuidado, a justiça social e a dignidade humana.