O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) manifesta profundo pesar e indignação diante do assassinato da médica Andréa Marins Dias, de 61 anos, ginecologista e cirurgiã-geral, assassinada a tiros durante uma abordagem da Polícia Militar no Rio de Janeiro no último domingo, dia 15 de março.
Andréa dedicou anos de estudo e trabalho para salvar vidas. Como mulher negra e médica cirurgiã, representava a concretização de um caminho possível para aqueles que historicamente tiveram seu acesso à formação médica negado em um país onde a medicina ainda é um privilégio de raça e classe. Ainda assim, sua trajetória foi brutalmente interrompida pela violência do Estado, enquanto retornava da casa de seus pais idosos.
A lógica de atuação da polícia militar em nosso país que, reiteradamente, produz mortes evitáveis, especialmente em territórios marcados por desigualdades sociais e raciais, é frequente. Para se ter uma ideia, em novembro de 2024 o estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, foi morto durante uma abordagem da Polícia Militar na capital paulista. A naturalização dessas práticas é inaceitável em um Estado democrático de direito.
Os episódios não são isolados e evidenciam a recorrência de abordagens que colocam em risco a vida de pessoas inocentes, sobretudo de pessoas negras, como era Andréa. O Simesp exige justiça para Andréa Marins Dias, por sua família, por seus pacientes e por todas as vítimas da violência policial no Brasil.
A defesa da vida deve ser o princípio inegociável de qualquer política pública. Reafirmamos o nosso compromisso com a valorização da vida, com a defesa dos profissionais de saúde e com a construção de uma sociedade em que episódios como este não sejam tolerados nem repetidos.