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Na maioria dos PSs públicos paulistas população é mal atendida e não há condições de trabalho

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17/06/2013 | Notícia Simesp

Na maioria dos PSs públicos paulistas população é mal atendida e não há condições de trabalho

Fiscalização realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) em 71 grandes prontos-socorros (PSs) que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado – 23 na Capital e 48 no Interior – aponta falhas graves nos serviços de urgência e emergência, que colocam em risco a saúde da população e não oferecem aos médicos condições adequadas de trabalho. Esse preocupante cenário do sistema de urgências e emergências paulista foi apresentado pelo Cremesp à sociedade, em coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (4/06).

“Ficamos perplexos com a maneira como os pacientes são tratados e responsabilizamos os secretários municipais, estaduais e o Ministério da Saúde pela falta de financiamento adequado e pela má gestão do sistema de saúde. Ao mesmo tempo, nos solidarizamos com os diretores clínicos e médicos, porque todos sofrem as conseqüências desse estado de coisas, que acaba se tornando uma afronta aos direitos humanos”, afirmou o presidente do Cremesp, Renato Azevedo na abertura do encontro.

Macas nos corredores, equipes médicas incompletas, falta de materiais básicos e dificuldade de transferir pacientes, foram os principais problemas constatados pela fiscalização do Cremesp nos 71 prontos-socorros, realizada entre fevereiro e abril de 2013.

Principais números do levantamento em 71 PSs

➜ 57,7% dos PSs têm macas com pacientes nos corredores
➜ 66,2% dos PSs relatam dificuldade de encaminhar pacientes para outros serviços de referência
➜ 57,7% dos serviços vistoriados estão com equipes médicas incompletas
➜ 28,2% das salas de emergência estão inadequadas
➜ Em 59,2% das salas de emergência falta algum tipo de material
➜ Em 46,5% dos serviços não há chefia de plantão nem médico diarista
➜ Em 32,4% dos PSs não é feita a triagem com classificação de risco
➜ Em 6,1% dos PSs não existem UTIs, nem no local nem em outro serviço referenciado.

Campanha “Prontos-socorros em agonia. Até quando?”

Diante da situação encontrada, o Cremesp lançou a campanha Prontos-socorros em agonia. Até quando?, exigindo providências do Ministério da Saúde e das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.

De acordo com Azevedo, o Conselho cumpriu sua função de órgão fiscalizador e os resultados serão agora encaminhados ao Ministério da Saúde, à Secretaria de Estado da Saúde e às secretarias municipais das cidades que fizeram parte da pesquisa”. “Cabe agora às autoridades competentes encontrar solução para os problemas que estamos apontando”, disse.

O conselheiro Renato Françoso afirmou que é preciso chamar a atenção das autoridades para esse grave problema de saúde pública. Para o diretor 1º secretário, Bráulio Luna Filho, “o sistema de saúde não funciona, os serviços secundários e terciários encontram grandes dificuldades para encaminhar pacientes a hospitais de referência, restando poucas alternativas de atendimento à população. “Sem um sistema de saúde adequado de prevenção, tudo vira urgência e emergência, e o atendimento acaba se dando nessas unidades, que colocam em risco quem é atendido e quem nela trabalha”.

Parcerias para fiscalizações

Renato Azevedo também falou sobre os resultados da fiscalização em São Paulo em encontro que reuniu presidentes dos CRMs de todo o país, a diretoria do CFM, procuradores e representantes do Ministério Público Federal (MPF), dia 5/06, em Brasília. Durante a reunião, foi firmada uma parceira com o MPF para fiscalizar serviços médico-assistenciais, especialmente na rede pública em todo o país. O acordo será operacionalizado por meio dos CRMs e da Procuradoria Geral da República nos estados, que poderão fazer visitas conjuntas, análise dos resultados de relatórios e criar mecanismos para a tramitação dos documentos. Irregularidades encontradas poderão gerar denúncias e abertura de processos ético-profissionais nos conselhos ou em outras esferas por irresponsabilidade na gestão dos serviços.

Acesse a íntegra do levantamento AQUI.