Louise Bourgeois (1911-2010) costumava dizer que seu corpo era sua escultura, e sua escultura era seu corpo. Essa relação estreita entre a produção artística da francesa radicada nos EUA e sua própria vida pode ser percebida não só nesta afirmação, mas também em boa parte das 112 obras que compõem a mostra Louise Bourgeois: o Retorno do Desejo Proibido, que abre hoje (8/7), no Instituto Tomie Ohtake.
A partir de cartas e anotações da artista, que fez psicanálise durante mais de 15 anos, o curador norte-americano Philip Larratt-Smith selecionou desenhos, objetos, pinturas, esculturas e instalações para a mostra. “O corpo não mente, o corpo manifesta sintomas, por meio dele você tem acesso ao inconsciente; é na centralidade do corpo que Louise entende a si mesma e a seu passado”, observa o curador.
E é em torno de temas como corpo e passado que Louise criou boa parte das obras, entre 1942 e 2009. Entre elas, há esculturas que mesclam elementos fálicos com formas que remetem às genitálias femininas. Rostos humanos que parecem gritar são ‘esculpidos’ com toalhas de banho. E uma instalação com uma grande aranha (representação comum em sua obra, para se referir à mãe) ‘abraça’ uma gaiola com elementos de tapeçaria (atividade da família da artista) e antigos frascos de perfumes.
A seguir, o curador, que acompanhou o Divirta-se em uma visita pela mostra, fala sobre a artista e comenta algumas de suas obras.
No divã, com o curador
Três temas recorrentes na obra de Louise, por Larratt-Smith:
PASSADO
"Para Louise, há sempre um movimento duplo, de expelir o passado e, por outro lado, de se aproximar dele. Como se estivesse dizendo que, às vezes, ficamos tão obcecados pelo passado que perdemos o presente.”
PSIQUE
“Ela tinha motivações psicológicas para fazer seu trabalho. Ela é expressionista – está mais interessada em expressar estágios de emoções do que em fazer representações.”
MULHER
“A obra de Louise pode ser apreciada no nível puramente formal, mas ela também fala de experiências que a mulher tem e que um homem não falaria. O homem representa uma mulher feliz com seu bebê, mas não fala da dor, do medo, sobre como foi difícil.”
Instituto Tomie Ohtake
Av. Brig. Faria Lima, 201, Pinheiros, 2245-1900.
11h/20h (fecha 2ª). Até 28/8.
Grátis.