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Mostra apresenta retrospectiva da última década do fotojornalismo

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26/10/2011 | Notícia Simesp

Mostra apresenta retrospectiva da última década do fotojornalismo

Tragédias, mas também registros de momentos bons, descontraídos, algumas curiosidades, tudo isso pula aos olhos nas fotografias da mostra Testemunha Ocular, que o Senac Lapa Scipião exibe a partir de hoje para o público. A exposição, que apresenta 682 imagens realizadas por fotojornalistas da Associação dos Repórteres Fotográficos do Estado de São Paulo (Arfoc), é uma retrospectiva dos últimos dez anos, um panorama de fatos e cliques espontâneos que reavivam a nossa memória recente. "Os anos passam e as questões continuam as mesmas, como violência, enchente, corrupção e meio ambiente, por exemplo", diz o curador da mostra, João Kulcsár. Infelizmente, constatação inevitável.

O olhar crítico e ágil do fotojornalista o diferencia dos outros fotógrafos conceituais, como diz Kulcsár. Aliado ainda a essa característica há o fato de que as imagens realizadas por repórteres fotográficos são "mais populares e fáceis para as pessoas", o que faz da mostra, enfim, uma contribuição para "uma forma de alfabetização visual". "Os fotojornalistas são nossa memória do País e da sociedade e deveria ser dado mais valor a essa missão", afirma Kulcsár. A exposição, assim, é um apanhado de fotografias que foram destaques, entre 2000 e 2010, em jornais e revistas do Brasil de peso, como o Estado, Folha de S. Paulo, O Globo, Veja e Época, entre outros, e as veiculadas por agências.

Todo ano a Arfoc-SP, presidida por Paulo Whitaker, promove uma retrospectiva com obras de seus associados, e desta vez, em parceria com o Senac, a entidade apresenta um panorama bem mais amplo, de uma década. Do total de imagens selecionadas para a exposição, 105 estão apresentadas em painéis, impressas em diferentes formatos e reunidas nos núcleos temáticos Conflitos, Meio Ambiente, Esporte, Política e Cidades. "Usamos o conceitos dos cadernos de jornais, por áreas", diz João Kulcsár. Já as mais de 500 outras fotografias escolhidas para a mostra são exibidas por meio de projeção multimídia.

Sem dúvida, um dos grandes destaques da mostra é a imagem de 2004, realizada pelo fotógrafo José Francisco Diório – ou J.F. Diório, como consta em seus créditos -, da Agência Estado, que registrou uma menina cabisbaixa durante um incêndio na favela do Buraco Quente, na zona sul de São Paulo. A obra recebeu o prestigiado prêmio World Press Photo.

A famosa imagem do incêndio na favela da Avenida Washington Luis junta-se a tantas outras fortes e impactantes, que revelam tragédias inevitáveis ou não. "As enchentes são as mesmas desde o início do século 20 e vemos que questões básicas de cidadania não são tratadas adequadamente pelo poder público", analisa o curador. Sendo assim, a exposição Testemunha Ocular dá peso aos núcleos dos Conflitos e das Cidades, chamando a atenção para a necessidade de conscientização para os problemas de cidadania.

Os segmentos não deixam de prestigiar imagens que estão em nossa (triste) "memória afetiva", que lembram fatos marcantes como o caso da morte da menina Isabella Nardoni (2010); o episódio da universitária Suzane Von Richthofen, envolvida no assassinato de seus pais (2002); ou o desastre, em 2007, com o avião da TAM, que deixou 199 mortos no Aeroporto de Congonhas. Mas é também dos núcleos Conflitos e Cidades que florescem muitas das obras a revelar a parte cultural e estética do cotidiano, como na fotografia feita em 2005 por Jonne Roriz, da Agência Estado, de um habitante na Vila Leopoldina, em São Paulo (reproduzida ao lado).

A mostra, futuramente, vai passar por outras unidades do Senac, entre elas, do interior de São Paulo. A exposição, ainda, promove debate aberto ao público na segunda-feira, às 19h15, com a participação do editor de fotografia da Folha de S. Paulo, João Wainer, e com Juca Martins, da Agência Olhar Imagem.

TESTEMUNHA OCULAR
Senac Lapa Scipião. Rua Scipião, 67, telefone 3475-2200. 9h/ 21h (sáb., 9h/ 16h; fecha dom. e 2ª). Até 27/1