O Ministério Público do Trabalho, de Campinas, aguarda a decisão da assembleia dos médicos assistentes do Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto que será realizada na sexta-feira (23) para decidir os rumos da greve da categoria. Caso os grevistas não voltem ao trabalho, o MPT deverá ingressar com uma Ação de Dissídio Coletivo junto ao Tribunal Regional do Trabalho.
“O MPT está dando uma chance para que a solução para a greve seja resolvida internamente entre os médicos, antes de partir para uma decisão judicial”, explicou a assessoria de imprensa do ministério.
O médico Ulisses Strogoff , que integra o comando de greve, diz que a categoria está preparada para provar na Justiça, se preciso, que a paralisação está dentro da legalidade e da ética médica. “Podemos mostrar que estamos cumprindo o atendimento de urgência e emergência, prova disso é que houve um aumento de 54% no número de cirurgias de urgência no período da greve, em relação ao mesmo período do ano passado”, afirma.
Sem conciliação
Na quarta-feira (21), representantes do HC, do Sindicato dos Médicos de São Paulo e da Associação dos Médicos Assistentes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (AMAHC-RP) se reuniram no MPT de Campinas para mais uma tentativa de acordo com objetivo de fim à paralisação, que completa 85 dias, nesta quinta-feira (22), mas não houve acordo.
O principal ponto de discórdia é o reembolso das horas descontadas dos médicos grevistas. Segundo a assessoria do MPT, o Sindicato dos Médicos posicionou que o retorno ao trabalho está condicionado ao restabelecimento das condições anteriores de trabalho, à reabertura das negociações e ao reembolso imediato dos descontos durante as greves de abril e a paralisação atual, com a consideração apenas do ponto eletrônico.
Representantes do HC disseram que a possibilidade de pagamento segundo o ponto eletrônico é “inaceitável”, já que houve registro de jornada por médicos que não trabalharam em decorrência da greve. A proposta mantida pelos empregadores é a de compensar horas seguindo negociação direta com os médicos assistentes.
Secretaria da Saúde
O secretário da Saúde do Estado de São Paulo, Giovanni Guido Cerri, enviou uma carta à Associação dos Médicos Assistentes do Hospital das Clínicas (AMAHC), na terça-feira (20), convidando os grevistas para uma reunião e recomendando que a categoria volte ao trabalho como sinal de “confiança” nas negociações.
A AMAHC está tentando marcar a reunião para esta sexta-feira. “Queremos a reunião em caráter de urgência e estamos dispostos a voltar ao trabalho se o secretário abrir negociação e garantir o reembolso dos salários dos médicos”, afirma o Dr. Strogoff.