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Milhares de pessoas, entre médicos, residentes e acadêmicos, protestaram nas ruas do país contra medidas do Governo

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05/07/2013 | Notícia Simesp

Milhares de pessoas, entre médicos, residentes e acadêmicos, protestaram nas ruas do país contra medidas do Governo

Durante o dia nacional de mobilização deste 3 de julho, os protestos realizados nos 26 Estados e no Distrito Federal mostraram que os médicos brasileiros estão dispostos à empreender todos os esforços necessários para resguardar a qualidade da saúde pública no Brasil e não permitir a entrada de médicos estrangeiros sem a revalidação do diploma.

As lideranças médicas nacionais comemoraram a repercussão das manifestações, a adesão dos profissionais e o apoio de pacientes aos atos. O movimento organizado nos Estados pelas entidades médicas regionais, contou o apoio do CFM, Associação Médica Brasileira (AMB), Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam). A ação foi convocada após um encontro de líderes das quatro organizações, realizado em São Paulo.

Para Roberto D’Ávila, presidente do CFM, o ato público foi vitorioso. “Conseguimos mostrar ao Governo e à população que estamos abertos ao diálogo sobre os rumos do Sistema Único de Saúde (SUS) e também de prontidão para atender ao chamado para trabalhar no interior, desde que sejam oferecidas as condições adequadas para o exercício da Medicina”, avaliou.

Florentino Cardoso, presidente da AMB, acredita que, por meio das mobilizações, os médicos revelaram o caos e as verdades da saúde pública no Brasil. “Os médicos não suportam mais atender as pessoas com paredes caindo, com posto sem água. Vamos aproveitar este momento histórico para reconstruir o País. Nós estamos pautados no sentido de mostrar à população que o caos instaurado não é por falta de médicos”, disse.

Para o presidente da Fenam, Geraldo Ferreira Filho, os protestos representam ainda mais. "A força da mobilização mostrou com clareza o repúdio dos médicos brasileiros à condução desastrosa da saúde pelo Governo Federal, mas também nas esferas estadual e municipal. Sinalizaram praticamente um rompimento com as políticas do ministro Padilha, que teve enterro simbólico em boa parte das manifestações”, afirmou.

Reivindicações

Dentre as principais reivindicações das entidades médicas está a criação de Carreira de Estado para médicos (semelhante ao que ocorre no Judiciário), visando a interiorização de profissionais. Para as lideranças médicas, este é o único caminho para estimular a interiorização da assistência com a ida e fixação de médicos em áreas de difícil provimento.

Os médicos também exigem que a entrada dos médicos estrangeiros ocorra em conformidade com a exigência legal, por meio de um processo de revalidação de diplomas sério e criterioso, como o Exame Nacional de Revalidação do Diploma de Medicina Expedidos no Exterior, o Revalida. Criado em 2010 por meio de portaria conjunta entre os ministérios da Saúde e Educação, o exame é considerado um pré-requisito mínimo para o exercício da Medicina no Brasil. Por meio de testes práticos e teóricos, o Revalida prova as habilidades do profissional formado no exterior e garante, assim, maior segurança à população.

Outro ponto de reivindicação é a aplicação mínima de investimentos de 10% da receita bruta da União em saúde. Com estes recursos, segundo os médicos, será possível reformar postos e hospitais, comprar equipamentos, financiar programas de prevenção e oferecer novas tecnologias de diagnostico e tratamento.

Durante as manifestações, a categoria também exigiu da presidente Dilma Rousseff a sanção do projeto que regulamenta a Medicina e se manifestou pela derrubada do Decreto Presidencial que modificou a Comissão Nacional de Residência Médica.

“A grande quantidade de médicos residentes nas mobilizações mostrou a insatisfação geral com a atual configuração da residência médica no Brasil. Queremos de volta uma Comissão representativa e não refém dos interesses do Governo, que sucateou a formação de médicos especialistas no país”, declarou Beatriz Rodrigues Abreu da Costa, presidente da ANMR.