As teorias e predições de Marshall McLuhan continuam tão atuais quanto há 34 anos, quando, entre outras pérolas de sua mente visionária, profetizou: “Na era da comunicação eletrônica o livro não morrerá, mas sua alma se libertará do seu corpo”.
O guru da chamada aldeia global – que este ano faria centenário de nascimento – foi lembrado pelo presidente da Fundação Memorial da América Latina, Antonio Carlos Pannunzio, no fecho de boas-vindas aos participantes do debate que teve como tema central o futuro do livro impresso, das bibliotecas, a cadeia editorial e todas as consequências jurídicas, técnicas e comerciais desse novo panorama do mercado literário ante o advento do e-book.
O evento, organizado pelo Goethe Institut, Maison de France e Instituto Cervantes, reuniu nesta quinta, 08, no Auditório Simón Bolivar, cerca de 1.000 pessoas da área de biblioteconomia, vindas de várias regiões do país.
Na França, informou Claire Nguyen, o e-book está presente em todas as bibliotecas acadêmicas desde 2007. Mas, há problemas: a baixa qualidade de ofertas na língua do país. Ela é diretora do Consórcio Couperin da Bibliothèque Interuniversitaire de Santé Paris. Lá, segundo ela, está em andamento o processo de construção da oferta e seus modelos em parceria com os editores.
A evolução do e-book é tão patente entre os jovens da Alemanha que já ameaça seriamente a sobrevivência do livro impresso nas bibliotecas. Foi por aí a linha da palestra de Frank Daniel, diretor da Biblioteca Pública de Colônia. Isso se explica pela invasão de lojas virtuais como Amazon, Apple e Google, associada ao crescente uso de smartphones, ipads, tablets e e-readers móveis. A saída, disse Daniel, foi criar o empréstimo digital online – tema que ele destrinchou em sua palestra.
E como age o mercado editorial diante de tudo isso? As respostas vieram de outro especialista alemão, Christoph Freier, da GK Panel Services Deutschland. Ele analisou as duas pontas de interesse da nova mídia – o consumidor final e as estruturas de desenvolvimento, oferta e demanda do e-book – pela ótica da Alemanha, oferecendo informações que podem vir a ser úteis para os envolvidos no debate. Seja como for, fica evidente que a polêmica está longe do fim e nem é possível prever se o livro digital vai ter predominância a curto prazo no mercado editorial. Afinal, como lembrou o presidente Antonio Carlos Pannunzio, “o livro é tão imortal quanto a roda”.