O Jornal Folha de São Paulo noticiou no último domingo (1º) que a hora trabalhada de um mecânico, custa o dobro da de um médico. Segundo o Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos – Sindirepa-SP, um mecânico recebe, em média, R$ 88 por hora. O valor dobra quando o profissional é especialista em injeção eletrônica. Enquanto isso, um clínico geral ganha, em média, R$ 45 por hora, de acordo com a pesquisa Bolsa de Salários, do Datafolha.
"A remuneração dos médicos está defasada há anos e na rede pública o salário é ainda menor", declarou o diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo, João Paulo Cechinel, à reportagem da Folha. No setor público a diferença ainda é maior, planos de saúde pagam cerca de R$ 35 por consulta médica.
Para o secretário de saúde suplementar da Fenam, Márcio Bichara, não se pode desmerecer o trabalho de outras profissões, mas há de se considerar, que devido à responsabilidade enfrentada pelo médico no dia-a-dia, os honorários ainda estão aquém do merecido pelo profissional. Ele destacou ainda, que o exemplo da reportagem é de conhecimento das entidades médicas, que alertam que a defasagem prejudica também os pacientes. "Para suprir a falta do honorário e pagar os gastos com o consultório o médico fica sobrecarregado, tem que agendar muitos pacientes e dedica pouco tempo para cada consulta."
Nova paralisação contra planos de saúde será agendada para outubro
A falta de reajustes nos honorários médicos pelos planos de saúde tem gerado descredenciamentos e paralisações nacionais. Em reunião ampliada da Comissão Nacional de Saúde Suplementar (COMSU) realizada no último dia 28 de junho, entidades médicas aprovaram um indicativo de nova e possivelmente mais ampla paralisação do atendimento aos planos de saúde, em outubro.
Um dos principais avanços nos últimos meses, referente aos honorários médicos, foi registrado em Pernambuco, como consequência da mobilização dos médicos no Estado. O representante do Conselho Regional de Pernambuco informou durante a reunião que, desde novembro, a Unidas paga R$ 60 por consulta. A Geap também elevou o valor pago pela consulta, de R$ 48 para R$ 60, e agora negocia pagar R$ 80. Segundo o representante do CRM de Pernambuco, a AMIL pagava R$ 25 por consulta em janeiro de 2011. Menos de um ano depois, o valor subiu para R$ 50; a negociação atual é para elevar a consulta a R$ 80.
Por outro lado, no estado do Paraná a situação pouco avançou. No estado, o valor médio da consulta gira em torno em torno de R$ 40. Em outros Estados, a situação relatada é: Unidas vai pagar R$ 60 pela consulta a partir de julho em Minas Gerais; no Amazonas, a Unidas subiu a consulta para R$ 58; e no Mato Grosso do Sul, todos os grandes planos elevaram o valor das consultas para R$ 60 desde de abril deste ano.
Neste segundo semestre os trabalhos das entidades médicas serão mais fortes e intensos, de acordo com o dirigente. "Teremos muito trabalho e muitos conflitos". Já no SUS, paralisações também serão realizadas para tentar melhorar a remuneração dos profissionais.