Em assembleia realizada na noite de quinta-feira, 4, médicos demitidos pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo repudiaram nova proposta da instituição e agora o caso será decidido pela justiça. Em 16 de fevereiro, haverá uma nova audiência no Tribunal Regional do Trabalho para tratar do assunto.
Embora a lei determine que os valores das verbas rescisórias devam ser pagos em até dez dias após a demissão, a Santa Casa, desde outubro de 2015, tenta um acordo diferente do que prega a legislação trabalhista. Acordo que os 184 médicos demitidos entendem, até o momento, como desvantajoso.
“O subfinanciamento do SUS e a má gestão colocaram a Santa Casa nessa crise. Os médicos não são responsáveis por ela e não querem pagar essa conta”, afirma Eder Gatti, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).
A primeira oferta da Santa Casa, apresentada em outubro do ano passado, sugeria que dos 184 médicos, 88 recebessem essas verbas em até um ano e o restante (96) entre 13 e 23 meses. O que não foi aceito.
Na segunda proposta, feita em janeiro desse ano, a Santa Casa manteve o parcelamento dos pagamentos em até 23 meses, mas ofereceu, a partir da 13ª parcela, correção pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
A proposta, apresentada na noite de quinta-feira para que os participantes da assembleia a avaliassem, também não foi aceita. Todos consideraram a oferta como muito desfavorável. “É uma proposta imoral”, disse uma das médicas presente.
Sem um acordo na audiência do dia 16, a justiça julgará a legalidade nas demissões da Santa Casa.