Os médicos da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo decidiram, em assembleia nesta sexta-feira, 20, recusar proposta da instituição de pagar dívida referente aos salários de novembro e 13º atrasados em 36 meses ou mediante possível venda de imóvel. Os médicos exigem pagamento imediato de todos os atrasados incluindo as multas. Caso a instituição não aceite a contraproposta, em reunião que acontecerá no Ministério do Trabalho em Emprego na próxima quarta-feira, dia 25, a pauta da próxima assembleia dos médicos no dia 26 será uma possível greve.
Os profissionais consideraram a oferta uma afronta e um desrespeito. “A Santa Casa não fechou as portas por causa da boa vontade dos médicos que aceitaram trabalhar sem receber. Entendemos a difícil situação, mas chegamos a um momento inaceitável”, expôs um dos médicos.
O diretor técnico do Hospital Central, Rogerio Pecchini, representante da instituição na assembleia, alegou que a forma de pagamento sugerida é o único meio de garantir a quitação das dívidas. “Reconhecemos o esforço dos médicos, mas só podemos oferecer uma forma de pagamento que a Santa Casa tenha condições de honrar”, defendeu.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Eder Gatti, a proposta apresentada pela Santa Casa é insuficiente. “Está longe do ideal em relação ao tamanho da dívida e do tempo em que se arrastam as negociações. Não é justo com os profissionais, que aceitaram trabalhar todo esse período mesmo sem receber os atrasados”.
Ainda na reunião de hoje os médicos expuseram preocupação com a falta de estrutura e equipamentos, o que impacta na saúde da população assistida.