O protesto dos médicos em diversos estados brasileiros na manhã desta terça-feira, 12 de junho, fez com que o governo federal reconhecesse o erro cometido na MP 568 que reduz salários da categoria. A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, afirmou que o problema será corrigido durante a tramitação da MP no Congresso Nacional. Para se ter uma ideia, médicos com jornada de 20 horas semanais teriam de cumprir 40h/semanais pelo mesmo valor, ou seja, uma redução de 50% na remuneração.
Em São Paulo, houve protesto em frente ao Hospital São Paulo, da Unifesp. Cerca de cinco mil balões preto tomaram o céu da cidade em sinal de luto. Carregando faixas de protesto, os médicos deram uma volta no quarteirão do Hospital. O ato foi organizado pelas entidades médicas do estado. Pelo Sindicato dos Médicos participaram os diretores Cid Carvalhaes, Graça Souto, Stela Maris Grespan, Carlos Izzo e João Paulo Cechinel Souza.
Após a manifestação, um grupo de médicos se reuniu com parlamentares e participou de audiência da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Eles entregaram ao presidente da Comissão de Saúde da Alesp, Marcos Martins, um documento solicitando apoio dos parlamentares contra os artigos da MP 568 que interferem na remuneração e desfiguram a jornada de trabalho dos profissionais.
De imediato, a Comissão de Saúde manifestou solidariedade aos médicos. Para o secretário de Comunicação do Simesp, João Paulo, que fez um resumo da MP aos deputados, o encontro foi muito positivo. Na semana passada, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, os médicos também garantiram apoio dos parlamentares federais, os quais manifestaram apoio à retirada dos médicos da matéria.
Em todo o Brasil, estima-se que 42 mil médicos ativos e inativos do Ministério da Saúde serão atingidos, além de 7 mil com vínculo pelo Ministério da Educação. Para o presidente do Sindicato, Cid Carvalhaes, a MP 568 é "um enorme retrocesso em um país já tão castigado pela carência do nosso Sistema Único de Saúde e pela desvalorização dos profissionais de medicina".
As entidades médicas compreendem que a MP traz a determinados setores do funcionalismo avanços importantes, que devem ser mantidos e até ampliados. Entretanto, particularmente os artigos 42 a 47, prejudicam os atuais e futuros servidores médicos dobrando jornadas sem acréscimo de vencimentos, reduzindo a remuneração em até metade e cortando valores de insalubridade e periculosidade. As perdas atingem, inclusive, aposentados (e pensionistas), que tanto já se dedicaram ao serviço público, enfrentando baixos salários e condições de trabalho adversas.