A terceira manifestação dos médicos paulistas, ocorrida na tarde de 31 de julho, chamou a atenção da população e da imprensa para os problemas que o programa ‘Mais Médicos’ pode trazer caso seja implantado em sua íntegra. Na prática, as propostas do governo federal não resolvem as demandas da saúde pública.
Durante a passeata que reuniu médicos, residentes e estudantes de medicina e percorreu três grandes via da cidade – av. Brigadeiro Luiz Antônio, av. Paulista e rua da Consolação – lideranças carregavam cartazes e falavam ao microfone sobre suas principais reivindicações. Os diretores do Simesp participaram da manifestação apoiando os médicos e cobrando o poder público.
O diretor do Simesp, José Erivalder Guimarães de Oliveira, à frente do movimento, explicava que o médico brasileiro quer sim trabalhar, mas precisa de estrutura e de uma Carreira Médica digna. “O governo federal não está cumprindo a Constituição que garante saúde pública ao povo brasileiro. É preciso melhorar as condições de trabalho e de atendimento”.
Entre os pontos mais polêmicos da Medida Provisória 621/2013, que institui o ‘Mais Médicos’, estão a importação de médicos sem a revalidação de diplomas, o aumento da duração dos cursos de medicina de 6 para 8 anos – sendo dois anos em formato de residência. A categoria também é contra os vetos da presidenta ao projeto de lei que estabelece o Ato Médico.
O movimento em São Paulo está sendo organizado pelas entidades médicas Cremesp, Simesp, APM e Academia de Medicina de São Paulo.
Médicos do Estado também manifestam indignação
Os médicos com vínculo ao estado de São Paulo também manifestaram sua indignação. Eles reclamam da Lei Complementar 1.193/2013, do governador Geraldo Alckmin, que instituiu a Carreira Médica no estado. Ao contrário do que foi prometido, a lei trouxe retrocessos em relação à remuneração, gerando inclusive redução nos vencimentos de alguns profissionais.
Carregando cartazes com dizeres “Carreira Médica do Estado de SP é um engodo” e “Essa é a remuneração do médico do Estado de SP: R$ 1900 (salário base)”. Os profissionais distribuíram Carta (veja na íntegra) à população explicando a real situação dos médicos no Estado de São Paulo.