Os médicos e demais funcionários do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP) realizarão ato público contra a possível transferência de gestão do hospital para a Secretaria Estadual de Saúde, na próxima terça-feira, dia 26, após a afirmação do reitor da USP, Marco Antônio Zago. A ação será às 12h30 em frente à reitoria da Universidade e conta com o apoio do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).
Essa possibilidade é levantada como uma economia em um momento de crise, mas, de acordo com o diretor do Simesp e médico do HU, Gerson Salvador, os dados do hospital não tiveram nenhuma alteração nos últimos anos em relação aos gastos normais que existem em toda a folha relativa a custeio e manutenção do hospital.
“O reitor declara que o HU não atende a finalidade imediata da USP. Se formar recursos humanos com qualidade para atender a população, se fazer pesquisas baseadas nas necessidades da nossa população e se prestar atendimento com qualidade às pessoas do nosso distrito não forem missões da universidade, não entendemos o que elas possam ser”, ressalta Salvador.
De acordo com o diretor do Simesp, essa transferência de gestão modifica todo o trabalho do hospital. “Nos preocupa muito o impacto da transferência do HU para a Secretaria Estadual de Saúde, que pelas próprias competências tem que se preocupar muito mais com a assistência do que com a formação. A participação da universidade é fundamental”.
Para o Simesp é importante ressaltar que essa desvinculação só ocorrerá mediante a anuência do governador Geraldo Alckmin. “Isso foi uma imposição do reitor sem a menor discussão com a comunidade que acompanha o hospital, é responsabilidade do governador se manifestar em relação a essa proposta”.
Na sexta-feira, dia 29, acontecerá reunião com os membros do conselho deliberativo do Hospital Universitário da USP para debater a questão.
São cerca de 2.500 estudantes por ano que passam no HU e que têm uma formação considerada excelente. Entre eles estão alunos de medicina, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, odontologia, psicologia e saúde pública.