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Médicos e estudantes de medicina fazem manifestações pela saúde

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03/07/2013 | Notícia Simesp

Médicos e estudantes de medicina fazem manifestações pela saúde

Mobilização nacional sob slogam “Vem pra rua pela saúde” terá ações em Curitiba e mais 10 cidades-polos paranaenses.Em Curitiba e em pelo menos outras 10 cidades paranaenses haverá manifestações nesta quarta-feira, 3 de julho, com engajamento de médicos e estudantes de Medicina ao movimento nacional “Vem pra rua pela saúde”.

O protesto visa chamar a atenção para os equívocos que envolvem as políticas públicas do setor, em especial o subfinanciamento do SUS, e ainda a defesa da regulamentação do ato médico, da implantação de plano de carreira médica e da revalidação dos diplomas obtidos no exterior, contra a proposta do governo federal de “importar” profissionais sem a necessária comprovação de habilidades técnicas e domínio do idioma local.

Na Capital, a manifestação vai ocorrer na área central das 10 às 12h, com concentração na Boca Maldita e depois passeata pelo calçadão da Rua das Flores em direção à escadaria do prédio da Universidade Federal do Paraná, na Praça Santos Andrade, repetindo ato ocorrido em 25 de maio e envolveu mais de mil pessoas. As entidades médicas ‑ Conselho de Medicina, Associação Médica e Sindicato dos Médicos – e as lideranças estudantis esperam que a mobilização seja ainda maior e conclamou os participantes a usarem jalecos ou roupas brancas ‑ simbolizando a saúde e a finalidade pacífica ‑ e a empunhar faixas e cartazes expondo os objetivos do protesto.

As instituições representativas do setor de serviços de saúde, como a Federação dos Hospitais (Fehospar), Sindipar e Associação dos Hospitais do Paraná, solidarizaram-se com o segmento médico e a defesa de se oferecer a devida atenção à saúde, com mais recursos, desonerações tributárias e a recomposição dos valores dos procedimentos pagos pelo SUS, cuja revisão global não ocorre há mais de 10 anos. Como reflexo, assinala em nota o setor hospitalar, há um endividamento crescente dos prestadores, fechamento de serviços, desabastecimento e comprometimento da qualidade.

Apesar de emprestar apoio à mobilização, as entidades hospitalares indicaram que não há paralisação dos serviços assistenciais, sobretudo nos de urgência e emergência, cabendo a cada estabelecimento avaliar com sua equipe médica eventual reagendamento de procedimentos eletivos e consultas ambulatoriais, a exemplo do que vem ocorrendo nos consultórios. Em acordo com seus médicos, instituições como a Santa Casa e o Hospital Universitário Cajuru, da Aliança Saúde, reordenaram sua agenda eletiva e de consulta para amenizar transtornos aos pacientes.

Na visão do presidente do CRM-PR, Alexandre Gustavo Bley, o governo federal está se desviando do foco dos reais problemas da saúde pública ao focar como solução a vinda de médicos de outros países. Para ele, o primeiro passo seria a União cumprir o seu papel constitucional de aplicar 10% das receitas em saúde, o que só neste ano já teria representado mais de R$ 30 bilhões. O dirigente diz que mais investimentos, que resultem em melhor infraestrutura e condições de trabalho, associados a um plano de carreira de Estado no SUS, são componentes facilitadores para a fixação do médico no interior, e que o segmento e a própria população não vão aceitar mão de obra barata e desqualificada, de agravos ao risco à saúde.

Alexandre Bley assinala que a defesa da promulgação da lei da regulamentação das competências médicas (ato médico) foi incorporada ao protesto diante da pressão que estaria sendo feita pelo Ministério da Saúde para que a presidente Dilma Rousseff reveja a proposta recém-aprovada no Senado Federal, numa tramitação que levou mais de 10 anos e teve ampla discussão com a sociedade. Médicos engajados na organização do protesto expressam o temor de que o ministro Padilha, convicto de que as dificuldades na saúde se prendem exclusivamente à falta de profissionais, influenciem a presidente a retroceder num dos poucos avanços deste governo na determinação do que é ato médico.