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Médicos e ativistas discutem empoderamento da mulher na hora do parto

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10/09/2014 | Notícia Simesp

Médicos e ativistas discutem empoderamento da mulher na hora do parto

O XIX Congresso Paulista de Obstetrícia e Ginecologia discutiu, entre outros assuntos, a humanização do parto e os partos especiais que precisariam de cesárea, assuntos que vêm sendo vistos como de vital importância por médicos e ativistas pró parto normal. Entre eles, o empoderamento da mulher e seu poder de escolha é um ponto em comum.

Um dos principais problemas brasileiros relativos à saúde da mulher é a grande quantidade de cesáreas. A Organização Mundial de Saúde recomenda que essas cirurgias sejam usadas em situações especiais e o índice da cirurgia não deve ultrapassar os 15%. Em todo o Brasil, o índice é de quase 40%, enquanto nos hospitais particulares chegam a quase 90%. Muitos motivos resultam nessa prática: medo da mulher, o custo e a rapidez de uma cesárea e especialmente falta de informação.

Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo(Sogesp), que promoveu o evento, tem uma atuação no sentido de incentivar o parto normal, segundo Paulo Nowak, membro da diretoria da instituição, médico obstetra e ginecologista. “Temos que respeitar todos os princípios médicos para recomendar um parto normal, especialmente o de autonomia da mãe. Mas no congresso trazemos evidências científicas, recomendações mundiais sobre a importância do parto normal”, comenta o médico.

Entre os assuntos tratados, ele destaca algumas práticas comuns e polêmicas, como a episiotomia, um corte cirúrgico feito na área do períneo (região entre o ânus e a vagina). Esse corte previne um rompimento irregular da vagina causado pela saúde do bebê. Mas, em muitos casos, é feito de forma desnecessária, porque a mulher teria abertura suficiente para o bebê passar. Essa é uma violência obstétrica que a mulher pode sofrer, assim como é a cesárea mal indicada.

“Parto cesárea é uma somatória de fatores. Uma parte da população acredita em alguns mitos em relação a dor: que não tem como controlar a dor em parto normal, que vai doer de uma forma insuportável. E tem uma parcela da população médica que induz uma cesárea sem necessidade por questões que não colocam em primeiro lugar o bem estar do paciente. Não adianta negar que isso é um problema existente. O profissional escolhe o parto pensando se ele vai fazer um procedimento em 1 hora ou em 12 horas, com hora marcada ou não. Isso é muito discutido do ponto de vista ético, e endossamos que sempre se deve escolher o que é melhor para a paciente e para o feto”.

O médico ainda ressalta que problemas de logística acabam influenciando na decisão da mulher. “Outra coisa que entra nessa escolha, hoje em dia, ainda mais em São Paulo, onde temos cada vez menos maternidades e leitos é a mulher preferir a cesárea porque é mais possível conseguir vaga na maternidade que ela prefere. Isso é um ponto. Mas se você conversar um pouco mais com essa mulher ainda existe o mito da dor, da lesão provocada ao órgão genital”.

Sobre o parto em casa, o médico é claro “Assim como a Associação, a Federação Brasileira é contra o parto normal em casa. Não existe evidência suficiente para considerar que é um parto seguro. Vai dar tudo certo se acontecer um parto normal sem complicações,mas se acontecer, você precisa ter alguns suportes que não existem na sua casa. A Confederação dos Médicos também não recomenda”, diz. “Já as casas de parto são bem vistas quando tem um hospital de retaguarda”, completa. O médico ainda defende sempre a presença de um médico, mesmo quando parto é feito por enfermeiras obstétricas ou obstetrizes.