Em assembleia nesta sexta-feira, 16, os médicos demitidos da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo rejeitaram a proposta do desembargador Wilson Fernandes, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), da 2ª Região, que concede apenas metade da correção monetária para as verbas que forem quitadas em período superior a 12 meses (com pagamento da correção feito em até quatro parcelas a partir da última da rescisão).
Os médicos reivindicam a correção inflacionária de todas as parcelas; que o pagamento seja efetuado em, no máximo, 13 parcelas; além da quitação imediata do salário de novembro e do 13º do ano passado que estão atrasados.
Os médicos demitidos organizaram uma comissão para acompanhar as negociações e agendaram assembleia para a próxima terça-feira, 20, às 20h, na sede do Simesp (rua Maria Paula, 78 – Bela Vista) para definir as próximas estratégias da categoria. Nessa assembleia, o Simesp deverá ter em mãos a lista completa dos médicos demitidos, já que o TRT determinou como prazo até a segunda-feira, 19.
Durante a assembleia, os profissionais também ressaltaram que há serviços do Hospital Luiz Gonzaga, localizado na região do Jaçanã, que foram totalmente fechados, contradizendo a alegação da instituição de que a assistência à população não sofreria prejuízos. “O hospital é um dos poucos de portas abertas da região, o pronto-socorro já está atendendo uma demanda inferior em relação ao ano passado, com o fechamento de alguns setores a situação vai piorar”, informa um dos médicos presentes.
Devido às denúncias, o Simesp irá acionar o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) para fiscalizar a situação dos hospitais da Santa Casa.
Negociação no TRT
O Sindicato entrou com um recurso no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) garantindo que não sejam demitidos outros médicos além dos 184 que estavam relacionados na lista de demissões. Após ouvir as partes, em audiência realizada na última quinta-feira, 15, o desembargador Wilson Fernandes, do TRT, propôs os seguintes pontos:
1 – Não contratar médicos terceirizados para assumirem, porventura, os postos dos que foram demitidos;
2 – Prioridade na recontratação dos médicos demitidos, caso precisem contratar novamente no prazo de 24 meses;
3 – Não haver diminuição do nível de empregos, desde que seja mantida a situação financeira atual da Santa Casa;
4 – Garantir reposição de metade da correção monetária para as verbas que forem quitadas em período superior a 12 meses. O marco inicial dessa correção será o 13º mês, considerando que até os 12 meses inexistirá correção monetária. O pagamento da correção será feito em até quatro parcelas a partir da última da rescisão.
“Durante a audiência, os representantes da Santa Casa disseram que aceitam os três primeiros pontos, mas que iriam levar para o conselho da instituição avaliar a última proposta, sobre a correção inflacionária”, informa Eder Gatti, presidente do Simesp. A Santa Casa tem até o dia 26 para dar a resposta. Após esse prazo, se a resposta da irmandade for positiva, o Simesp terá dez dias para dar um retorno sobre a posição dos médicos.
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