O Sindicato dos Médicos de São Paulo encara com preocupação a pretensa intenção do governo federal, anunciada pelo ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, de trazer 6 mil médicos de Cuba para trabalharem nas regiões carentes do Brasil.
De acordo com o presidente do Simesp, Cid Carvalhaes, a proposta é ilusória e trará desserviço à população, pois esses médicos são profissionais tecnicamente despreparados para atendimento à população brasileira. “A nossa grande apreensão é de que esse exercício traga uma desassistência às pessoas. Ser mal assistido pode contribuir para a piora do estado da doença. Condutas inadequadas são chamadas pela medicina de iatrogenia, ou seja, doenças agravadas ou provocadas por más indicações médicas”.
O que o Simesp defende, é que os médicos graduados no exterior, brasileiros ou estrangeiros, independentemente do seu país de formação, devam ser submetidos a uma equivalência curricular e, caso haja discrepância, se faça a equivalência em uma universidade pública devidamente credenciada.
Terminado esse processo, o candidato deve se submeter ao Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras (Revalida). E os estrangeiros ainda devem fazer uma prova de suficiência em língua portuguesa. Sendo aprovado nessas etapas, o candidato estará apto para trabalhar no Brasil.
“Tais medidas são o mínimo necessário para garantir a segurança dos usuários da saúde pública. Se esses médicos formados em Cuba ou em qualquer outro país forem de fato não qualificados, como tudo faz crer, esse resultado será desastroso em um intervalo de tempo muito curto”, adverte Carvalhaes.