Um dos médicos prejudicados, que prefere não se identificar por medo de represálias, explica que cerca de 95% dos pedidos de exames não são urgentes por derivarem de consultas ambulatoriais. “Se o paciente necessitasse de um tratamento de urgência, ele estaria internado ou seria encaminhado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), por exemplo. Claro que dentro das solicitações temos algumas que são mais urgentes do que as outras, mas não a ponto de pedir essa carta. Já recebi agressões verbais horrorosas, até ameaças de agressões físicas por negar o pedido do paciente”, relembra.
O Hospital Estadual de Bauru, que é referência na região e atende a população dos municípios vizinhos, está com o aparelho de tomografia quebrado há um ano e o de ressonância há cerca de seis meses, o que gerou o grande aumento da fila de exames. “Enquanto os aparelhos não são consertados, a prefeitura de Agudos paga indiscriminadamente por um serviço privado que deveria ser usado só em casos de urgência e quem se prejudica com isso é a população e os médicos. O prefeito Altair Francisco da Silva chega a ligar para os serviços ambulatoriais para coagir os médicos a solicitarem urgência a exames não urgentes, isso é um absurdo”, conta o presidente do Simesp, Eder Gatti.
Gatti ainda explica que essa situação só mostra o total descaso do prefeito com a população. “A população merece um atendimento de qualidade, sim. Mas para isso o médico não deve ser coagido ou ameaçado. Cobraremos uma atitude do prefeito em relação à essa atitude.”