Devido intensa dificuldade na obtenção de empréstimos, representantes da Santa Casa afirmaram hoje, 6 de janeiro, em assembleia com os médicos, que não vão mais prometer nova data para saldar as dívidas trabalhistas (salário de novembro e o 13°). A expectativa era de que a Caixa Econômica Federal liberasse crédito até o final de janeiro, o que não acorreu. A instituição informou estar negociando com outros credores, mas não quis divulgar nomes.
Muitos profissionais revelaram que estão inseguros no exercício do trabalho, destacando a falta de insumos e de condições adequadas de atendimento. Por isso, uma das deliberações é a notificação ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) sobre tais problemas.
Os médicos também cobram um posicionamento do Governo do Estado solicitando a presença do secretário estadual da saúde, David Uip, na próxima assembleia. O Simesp vai formalizar o convite. A próxima assembleia será realizada no dia 27 de fevereiro, às 10h, na Santa Casa, quando a categoria discutirá a possibilidade de paralisação das atividades.
Sindhosfil
O presidente do Simesp, Eder Gatti, também destacou na assembleia a situação da negociação da campanha salarial 2014 com o Sindhosfil. O Sindicato patronal ofereceu proposta inferior à inflação. Eles querem dar um aumento de 3,20% a partir de 1° de setembro e somente a partir de 1° de dezembro, 6,35%, tendo como referência o salário de 31 de agosto de 2014 para os reajustes.
Desta forma, o profissional deixaria de ganhar 3,15% a mais no salário mensal, durante três meses. No caso de um médico que ganha R$ 10 mil por mês, por exemplo, a perda seria de R$ 945 no acumulado. Considerando que o Sindhosfil mantém 15.778 vínculos empregatícios, o total economizado pelas empresas no período seria de quase 15 milhões de reais.
A alegação usada pelos empregadores é a crise nos hospitais filantrópicos, inclusive a da Santa Casa. “A crise não pode ser depositada nas costas dos médicos. Sustentamos nossa proposta de não aceitar nada abaixo da inflação”, enfatiza Eder Gatti.
Em reunião, o Simesp propôs ao presidente do Sindhosfil-SP, Edison Ferreira da Silva, discutir as condições de pagamento desde que seja pago reajuste integral. O Sindhosfil irá consultar as instituições que representa e trará uma resposta na reunião no dia 26 de fevereiro, às 10h, no Mistério do Trabalho e Emprego (MTE).