Em assembleia na última terça-feira, dia 21, médicos da urgência e emergência de unidades que são administradas pela Fundação ABC, de unidades de pronto atendimento da administração direta (servidores públicos) e médicos de família e comunidade da rede de atenção primária do município criaram uma comissão para definir as pautas e prioridades relacionadas à saúde de Guarulhos. O grupo vai procurar, juntamente com o Simesp, os gestores públicos da cidade para formar uma mesa de negociações permanente de propostas para melhorias dos serviços de saúde.
De acordo com o presidente do Simesp, Eder Gatti, que estava presente na assembleia, a questão dos problemas da saúde pública de Guarulhos não envolve apenas atrasos salariais. “Os médicos estão lutando por segurança e condições de trabalho para oferecer uma assistência adequada aos pacientes e não colocar a população em risco.”
Durante a assembleia foram discutidos problemas do município como um todo. No Hospital Municipal de Urgência (HMU), por exemplo, os médicos trabalharam em plantões com falta de insumos como gaze, luvas, fios para sutura e medicamentos essenciais para o tratamento de pacientes graves. “Os colegas expuseram a grande preocupação sobre a possibilidade de colocar a vida do paciente em risco”, conta Gatti.
Outro fator que incomoda e constrange os médicos é o fato de o prefeito da cidade gravar e divulgar vídeos em que aparece fazendo fiscalizações no Pronto Atendimento (PA) Maria Dirce e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) São João. “Os médicos avaliaram que essa atitude colocou a população contra os médicos. O problema da rede municipal tem a ver com a gestão dos governantes, tanto do atual gestor quanto anteriores e não dos profissionais que atuam nas unidades. Os médicos estavam trabalhando mesmo sem salário e sem condições sanitárias para fazer atendimentos. A comissão que foi criada vai trabalhar para que essa insatisfação chegue ao prefeito”, finaliza Gatti.