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Médicos ameaçam suspender consultas de planos de saúde

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30/06/2011 | Notícia Simesp

Médicos ameaçam suspender consultas de planos de saúde

Médicos que atendem planos e seguros de saúde em São Paulo vão se reunir em assembleia nesta quinta-feira propensos a entrar em greve. O movimento, liderado pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo, APM (Associação Paulista de Medicina) e Cremesp (Conselho Regional de Medicina), exige que empresas de medicina de grupo, de autogestão e seguradoras aumentem os valores pagos por consultas e procedimentos de saúde. Alega que os médicos não recebem reajustes por seu serviços há cerca de dez anos.

Aproximadamente 60 mil médicos trabalham para quase mil empresas em São Paulo. Eles reivindicam que a remuneração por consulta, em torno de R$ 30, chegue a R$ 80. "Tem empresa que paga menos de R$ 20 por consulta", afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos, Cid Carvalhaes. "Na região da Avenida Paulista, o custo operacional de manter um consultório, com despesas e impostos, chega a R$ 20 por consulta. O médico não pode pagar para trabalhar", disse.

"Recebemos R$ 80 para fazer uma cirurgia de fimose ou amídala", acusou Jorge Carlos Machado Curi, presidente da APM. "Isso quase não paga o estacionamento do carro para fazer a operação", registrou ele. Curi prometeu abrir para a população, a partir desta quinta, o que chama de "baú da saúde". Nas palavras dele: "Vamos dar transparência ao setor, apresentar todos os números. Quase 50% da população em São Paulo tem plano de saúde. As pessoas precisam saber o que acontece. Tem de haver mais respeito com os médicos".

O movimento informa que tentou abrir negociações com 15 grandes empresas de medicina de grupo, de autogestão e seguradoras. Apenas oito deram respostas às reivindicações, ainda que insuficientes. "É grande a possibilidade da assembleia decidir paralisar algumas empresas", afirmou Renato Azevedo Júnior, presidente do Cremesp. "Vamos definir estrategicamente o formato da paralisação na assembleia. Até lá, aguardamos que apresentem propostas".

De acordo com o presidente da APM, o valor dos procedimentos cirúrgicos seria glosado em até 30% pelas empresas, que alegariam erros formais de preenchimento de documentos para suspender o pagamento dos médicos. Conforme Curi, representantes dos enfermeiros, fisioterapeutas e nutricionistas vão ser convidados a participar da assembleia dos médicos, marcada para quinta-feira, às 20h.

Será no auditório da Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas, que também apoia o movimento. Fica na Rua Voluntários da Pátria, 547, em Santana, na Zona Norte da cidade. Empresas não comentam protestoA Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo) informou, por meio de nota, que não faz parte de suas atribuições discutir remuneração a prestadores de serviços. Conforme o texto, "é livre a negociação entre as partes sobre os serviços a serem prestados".

Para a Abramge, "o movimento dos médicos é aceitável, desde que não prejudique o atendimento aos beneficiários dos planos de saúde". Além de reajustes pelos serviços, os médicos pedem "o fim das pressões das empresas para que reduzam solicitações de exames, de internações e de outros procedimentos, interferências abusivas que colocam em risco a saúde dos cidadãos". A Abramge não se manifestou. "Isso é entre os profissionais e as empresas", disse Marielza Augelli, assessora da entidade.

"Não vamos tomar atitudes afoitas, mas vamos respeitar a autonomia dos médicos", afirmou Cid Carvalhaes, do Sindicato dos Médicos. Ele disse que o movimento não quer prejudicar os pacientes. "Todos pagam caro e têm dificuldade de acesso." O sindicalista admitiu, porém, que consultas e cirurgias poderão ser desmarcadas.

Jorge Carlos Machado Curi, da APM, afirmou que os médicos são pressionados pelas empresas. "Sabemos que as novas tecnologias encareceram os tratamentos, mas é inaceitável que as empresas procurem negar consultas e procedimentos médicos importantes, como quimioterapia nos casos de câncer", disse. Segundo ele, os médicos, de tão pressionados, chegam a sugerir a pacientes de planos de saúde que procurem o SUS. Isso é o fim da picada.

Categoria fez paralisação de 24 horas em abril No Dia Mundial da Saúde, comemorado em 7 de abril, médicos de todo o país fizeram uma paralisação de 24 hora. Nesse dia, apenas casos de urgência e emergência foram atendidos. Em São Paulo, eles também fizeram uma passeata no Centro da capital para reivindicar regras contratuais que respeitem a autonomia do médico e definam critérios e periodicidade de reajustes.

Operadoras vão ter prazo para atendimento A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) decidiu impor prazos máximos para que haja atendimento pelas operadoras. Quem descumprir a norma poderá ser multado. Consultas devem ser marcadas em até 7 dias Os planos de saúde devem garantir consultas básicas de pediatria, clínica médica, cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia em sete dias, mesmo que não seja com o médico da preferência do consumidor.