A estimativa de Cid Carvalhaes, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), com base em uma enquete publicada no site da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), é que 91% dos profissionais de todo o Brasil tenham paralisado o atendimento aos planos de saúde ontem, dia 21, durante o Dia Nacional de Paralisação. O estado de São Paulo, seguiu a média nacional. “Essa adesão maciça mostra a insatisfação da classe médica com as imposições predatórias que tem feito aos médicos e aos pacientes”, destacou Carvalhaes.
Na paralisação que durou o dia todo – apenas os atendimentos de urgência e emergência foram mantidos – os médicos suspenderam o atendimento aos planos que não entraram em acordo com a categoria nos últimos meses. Vinte três estados aderiram, sendo que em nove a paralisação foi total, atingindo todas as empresas.
Em São Paulo, a Assembléia Legislativa realizou uma audiência pública, ocasião em que os parlamentares manifestaram seu apoio aos médicos do Estado e criticaram as empresas que ainda não deram retorno sobre as negociações. A avaliação da maioria dos presentes é que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem sido omissa em sua postura, ao não realizar nenhum tipo de controle em relação às interferências sofridas pelo médico no atendimento aos seus pacientes, o que acaba prejudicando os usuários de planos de saúde. “A ANS tem de começar a agilizar ações concretas para que exerça sua função reguladora do setor”, salienta o presidente do Simesp. Em nota oficial divulgada ontem, a ANS diz que considera legítimo o movimento dos médicos, mas afirma que "não tem amparo legal para regular a remuneração médica" e que não há, na relação dos médicos com as operadoras de planos de saúde, nenhuma "ineficiência ou omissão" por parte da Agência e, sim, "respeito à legalidade".
O movimento também recebeu o apoio da Proteste – Associação dos Consumidores – da Associação dos Usuários de Planos de Saúde, presentes à audiência. Para o representante dos usuários, Flávio de Ávila, o excesso de consultas que o médico tem de atender diariamente para conseguir uma remuneração digna acaba acarretando em descontentamento do usuário. Como algumas operadores limitam um número de pacientes daquela empresa para o profissional atender diariamente, os pacientes enfrentam dificuldades na marcação de consultas.
Na avaliação de Carvalhaes, o movimento tem tido uma boa repercussão pelas manifestações de apoio que as entidades têm recebido da sociedade como um todo, mostrando que as operadoras estão cada vez mais acuadas.