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Manifesto contra subsídios públicos para planos de saúde tem adesão do Cremesp

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08/05/2013 | Notícia Simesp

Manifesto contra subsídios públicos para planos de saúde tem adesão do Cremesp

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) aderiu ao Manifesto em defesa do SUS e pela extinção de subsídios públicos para planos e sSeguros de saúde. O apoio ao movimento foi aprovado na noite desta terça-feira (7/05), durante reunião plenária dos conselheiros do Cremesp.

Assinado por diversas entidades médicas e outros coletivos organizados, a manifestação foi desencadeada em razão das notícias de que o governo federal estaria elaborando um ‘pacote’ de ajuda às operadoras de saúde, por meio da redução de impostos e subsídios oficiais. As medidas contemplariam também as empresas de capital estrangeiros e de intermediação no setor suplementar, que projetam a duplicação do mercado privado para 100 milhões de brasileiros, mediante a oferta de planos saúde baratos, mas de cobertura precária.

O manifesto foi idealizado durante o ato público Os planos de saúde vão acabar com o SUS?, promovido pelo Intituto de Defesa do Consumidor (Idec), que aconteceu em 26/04 na capital paulista e contou com a participação do presidente Cremesp, Renato Azevedo Júnior.

Leia a seguir o documento na íntegra

MANIFESTO

EM DEFESA DO SUS E PELA EXTINÇÃO DE SUBSÍDIOS PÚBLICOS PARA PLANOS E SEGUROS DE SAÚDE

As entidades da sociedade civil, abaixo signatárias, reunidas em São Paulo, no dia 26 de abril de 2013, vêm a público afirmar que, após 25 anos, o SUS conquistado na Constituição Federal, ainda não se efetivou como um sistema público de saúde, com cobertura universal e atendimento integral de qualidade.

Por sua vez, os serviços prestados pelos planos e seguros de saúde são falhos e demonstram que esse mercado não é capaz de garantir a universalização da saúde no Brasil.

Ao cenário de subfinanciamento público da saúde e sucateamento do SUS soma-se a perspectiva de extensão da assistência privada de planos de saúde, baseada na ascensão econômica de novos estratos da população e na possibilidade de o governo descumprir preceitos constitucionais ao desonerar as empresas do setor, fornecendo mais subsídios públicos ou reduzindo tributos federais.

Neste sentido, nos manifestamos por:

1- Pela submissão às instâncias de controle social e ao Congresso Nacional de quaisquer iniciativas do governo federal para concessão de novos subsídios públicos ou quaisquer desoneração e isenção para ampliação da oferta de planos e seguros de saúde.

2- Transparência e divulgação dos dados, visando um amplo debate nacional, sobre os atuais subsídios públicos diretos e indiretos para planos e seguros de saúde privados: atendimento de clientes de planos de saúde em serviços do SUS, sem o devido ressarcimento aos cofres públicos; gastos com assistência médica suplementar dos servidores públicos; renúncia fiscal, com dedução de gastos com planos de saúde no imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas; isenções tributárias a planos de cooperativas e de filantrópicos; recursos do Tesouro Nacional destinados ao funcionamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), dentre outros.

3- Revisão dos mecanismos de ressarcimento ao SUS, até hoje não concretizado por omissão da ANS e inoperância dos gestores públicos.

4- Impedimento da prática da “dupla-porta” e dos convênios de hospitais universitários, Organizações Sociais e outros serviços do SUS com planos de saúde, o que tem resultado no agendamento e no atendimento diferenciados dos cidadãos nas unidades públicas.

5- Reforma política com vistas a eliminar ou a tornar explícitos os financiamentos de empresas, em especial as operadoras de planos de saúde, nas campanhas eleitorais.

6- Redefinição de dispositivos que impeçam a captura das agências reguladoras pelos interesses do mercado regulado. Pela não ocupação de diretorias e cargos da ANS por pessoas indicadas ou oriundas dos quadros de operadoras de planos e seguros de saúde.

7- Revisão da legalidade das decisões do governo federal que autorizaram fusões, concentração de mercado e participação de empresas de capital estrangeiro no setor de assistência médica suplementar.

8- Fim da omissão da ANS diante de: negativas de cobertura; reajustes abusivos, descumprimento de prazos de atendimento; registro e comercialização de planos de saúde com rede insuficiente de prestadores; planos de baixo preço com cobertura limitada; planos “falsos coletivos” e de co-participação que enganam os consumidores e burlam a legislação; rescisões unilaterais de contratos; ausência de reajustes de honorários de médicos, profissionais e prestadores; critérios obscuros para aumento de mensalidades; exclusão de ex-empregados (demitidos e aposentados) da carteira de funcionários ativos de uma empresa, demora no julgamento de ações e impunidade na aplicação de sanções contra planos de saúde.

Por fim, defendemos que o SUS seja adequadamente financiado com a destinação de pelo menos 10% das receitas correntes da União. Que o SUS seja fortalecido e mantido como Política de Saúde oficial do Estado brasileiro, como manda a Constituição Federal, cabendo ao segmento dos planos de saúde o caráter verdadeiramente suplementar e não duplicativo ou substitutivo do sistema público.

Assinam este manifesto:

1. Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco

2. Associação Paulista de Medicina – APM

3. Associação Paulista de Saúde Pública – APSP

4. Centro Brasileiro de Estudos da Saúde – CEBES

5. Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social – CNTSS-CUT

6. Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo – CREMESP

7. Central Única dos Trabalhadores (CUT)

8. Fórum Nacional de Pós-graduandos em Saúde – FNPGS

9. Fórum ONGs / AIDS São Paulo

10. Frente Nacional contra a Privatização da Saúde

11. Instituto Ágora-Estudos e Projetos em Qualidade de Vida

12. Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – IDEC

13. Sindicato dos Médicos de São Paulo – SIMESP

14. Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo – SINDISAÚDE-SP

15. Sociedade Brasileira de Bioética – SBB

16. Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos – SOBRAVIME