A manhã desta terça-feira, 7, Dia Mundial da Saúde, foi marcada pela luta de trabalhadores, estudantes, representantes de movimentos populares e moradores da região do Butantã em defesa do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP). Os manifestantes saíram em caminhada do bairro do Rio Pequeno em direção à reitoria da USP para mostrar ao reitor Marco Antonio Zago – que sofreu fortes críticas durante o ato – a insatisfação com a atual situação do hospital.
A pauta tem quatro eixos de reivindicações: contratação imediata de recursos humanos para o pleno funcionamento do HU; não autarquização do HU; pleno funcionamento do Centro Saúde Escola – Butantã; e saída do atual reitor da Universidade. “Hoje, no dia Mundial da Saúde nós estamos reivindicando que o HU volte a ter o atendimento normal e atenda a população que está desassistida”, relatou Rosane Meire Vieira, diretora do Sindicato de Trabalhadores da USP (Sintusp), funcionária do HU e moradora da região.
Foram fechados 56 leitos em todo o hospital e houve redução de 213 servidores, entre eles 18 médicos, que aderiram ao plano de demissão voluntária, tendo impacto direto ao atendimento, com redução do número de cirurgias. “O Simesp apoia o protesto contra o desmonte sofrido pelo HU nos últimos anos. A situação está crítica”, ressalta Gerson Salvador, diretor do Simesp e médico do Hospital Universitário.
As demissões também estão afetando o ensino como relata o estudante do quarto ano de medicina, Glauco Cabral Marinho. “O HU é um espaço importante para estágios do internato, onde aprendemos o que vamos encontrar no dia a dia. E estamos perdendo tudo isso com o sucateamento do hospital, vários serviços estão sendo fechados e o pronto-socorro está reduzindo os atendimentos. Nós sofremos, mas a população é quem sofre mais”, desabafa.
“Se o HU fechar pra onde a gente vai?”, indaga Maria de Jesus, moradora da comunidade São Remo, no distrito do Butantã. Maria tem razão em ficar preocupada, o HU é o único pronto-atendimento próximo a sua residência. A região possui apenas 14 unidades básicas, que funcionam em condições precárias, e seriam necessárias mais 11 unidades para atender a demanda. “A unidade mais recente foi construída há 25 anos. Então, se o HU fechar as portas o Butantã ficará à deriva”, desabafa Oscar Piorroti Martins, do Conselho Gestor Distrital.