Nos últimos meses os médicos servidores do Estado de São Paulo vêm se mobilizando em torno de dois pontos básicos: melhoria nas condições de trabalho e reajuste salarial. Nos dois, a administração estadual dos últimos 20 anos tem deixado a desejar. Embora o nome do governador tenha mudado, o objetivo sempre foi o mesmo: privatizar a saúde pública paulista.
Com isso em mente, lançaram mão das mais perversas maneiras de convencer a população e a imprensa da má qualidade dos serviços públicos em geral. Começaram por cortar os direitos trabalhistas e não reajustar os salários dos servidores: trabalhadores da saúde, professores, policiais, bombeiros. Assim, esses profissionais foram obrigados a trabalhar mais e em outros locais, para poder pagar suas contas no final do mês – o que prejudica seu desempenho e sua atenção nas atividades que, em tese, deveriam exercer com tranquilidade. Ou seja: forçaram (e ainda forçam) esses trabalhadores a atender mal a população. Felizmente, por profissionalismo e humanidade, a maioria deles, mesmo com jornadas de trabalho cansativas, não se submete à imposição do governo e continua atendendo de forma justa e adequada os cidadãos deste Estado.
No atendimento à saúde, o governo do Estado conseguiu deixar mais dramática a situação: faltam medicamentos, vacinas básicas e aparelhos de raio-X. Num relatório do ano passado da própria Secretaria de Estado da Saúde, que entrevistou 350 mil usuários das unidades de saúde gerenciados por ela, em vários hospitais a anestesia do parto vinha sendo feita com “panos quentes” e não com os medicamentos apropriados para isso. Esse tipo de situação torna vítimas não apenas os usuários (pacientes e familiares), mas também os profissionais envolvidos no seu atendimento, já que sobre eles pesa ainda a responsabilidade profissional e pessoal em relação à vida e o bem-estar dessas pessoas.
Junto a isso tudo, o governo insiste em não realizar concursos públicos para contratação de profissionais e pagar de forma humilhante aqueles que ainda permanecem vinculados a ele. Hoje, um médico recebe um salário-base inicial de R$ 414,30 por 20 horas de trabalho semanais – com as gratificações chega perto de R$ 1500,00.
Dados como estes fazem com que tenhamos falta de profissionais em pronto-socorros, emergências e unidades de terapia intensiva, para ficarmos nos exemplos mais gritantes. Muitos profissionais, médicos ou não, também pelo mesmo motivo, vêm se aposentando ou pedindo demissão de seus empregos públicos – tornando a situação caótica em muitos lugares.
Como vimos, a situação sempre pode piorar – e é por isso que estamos mobilizados para garantir um atendimento decente à população paulista.