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Lobo em pele de cordeiro na administração do Estado de São Paulo

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25/11/2011 | Notícia Simesp

Lobo em pele de cordeiro na administração do Estado de São Paulo

Nos últimos meses os médicos servidores do Estado de São Paulo vêm se mobilizando em torno de dois pontos básicos: melhoria nas condições de trabalho e reajuste salarial. Nos dois, a administração estadual dos últimos 20 anos tem deixado a desejar. Embora o nome do governador tenha mudado, o objetivo sempre foi o mesmo: privatizar a saúde pública paulista.

Com isso em mente, lançaram mão das mais perversas maneiras de convencer a população e a imprensa da má qualidade dos serviços públicos em geral. Começaram por cortar os direitos trabalhistas e não reajustar os salários dos servidores: trabalhadores da saúde, professores, policiais, bombeiros. Assim, esses profissionais foram obrigados a trabalhar mais e em outros locais, para poder pagar suas contas no final do mês – o que prejudica seu desempenho e sua atenção nas atividades que, em tese, deveriam exercer com tranquilidade. Ou seja: forçaram (e ainda forçam) esses trabalhadores a atender mal a população. Felizmente, por profissionalismo e humanidade, a maioria deles, mesmo com jornadas de trabalho cansativas, não se submete à imposição do governo e continua atendendo de forma justa e adequada os cidadãos deste Estado.

No atendimento à saúde, o governo do Estado conseguiu deixar mais dramática a situação: faltam medicamentos, vacinas básicas e aparelhos de raio-X. Num relatório do ano passado da própria Secretaria de Estado da Saúde, que entrevistou 350 mil usuários das unidades de saúde gerenciados por ela, em vários hospitais a anestesia do parto vinha sendo feita com “panos quentes” e não com os medicamentos apropriados para isso. Esse tipo de situação torna vítimas não apenas os usuários (pacientes e familiares), mas também os profissionais envolvidos no seu atendimento, já que sobre eles pesa ainda a responsabilidade profissional e pessoal em relação à vida e o bem-estar dessas pessoas.

Junto a isso tudo, o governo insiste em não realizar concursos públicos para contratação de profissionais e pagar de forma humilhante aqueles que ainda permanecem vinculados a ele. Hoje, um médico recebe um salário-base inicial de R$ 414,30 por 20 horas de trabalho semanais – com as gratificações chega perto de R$ 1500,00.

Dados como estes fazem com que tenhamos falta de profissionais em pronto-socorros, emergências e unidades de terapia intensiva, para ficarmos nos exemplos mais gritantes. Muitos profissionais, médicos ou não, também pelo mesmo motivo, vêm se aposentando ou pedindo demissão de seus empregos públicos – tornando a situação caótica em muitos lugares.

Como vimos, a situação sempre pode piorar – e é por isso que estamos mobilizados para garantir um atendimento decente à população paulista.