Na quinta-feira (25), após a manifestação de advertência à população sobre a situação da saúde suplementar, realizada na Avenida Paulista, e suspensão do atendimento, diversas lideranças médicas estiveram no auditório da Associação Médica Brasileira (AMB) em uma coletiva à imprensa para retomar a discussão e apresentar as demandas dos profissionais de saúde, no que se refere aos planos de saúde.
Antonio Jorge Salomão, 1º secretário da AMB, convidou à mesa Florisval Meinão, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Jorge Carlos Machado Curi, vice-presidente da AMB, Geraldo Ferreira Filho, presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Cid Jayme Carvalhaes, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Roberto Luiz D’Avila, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Renato Azevedo Júnior, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).
Além de reforçar o que foi dito durante a semana e na manifestação, os representantes das entidades levantaram algumas questões pontuais. Florisval Meinão atentou para a fragilidade das decisões da Agência Nacional de Saúde (ANS), responsável pela regulação do setor de saúde suplementar: "Infelizmente a ANS toma resoluções muito tímidas no que se refere a contratos com médicos e marcação consultas e demais procedimentos para os pacientes. É necessário que haja mais atenção e menos morosidade nas punições para que a situação melhore”.
Já o presidente do CFM falou sobre a interferência do ponto de vista ético na atuação do médico. "A relação médico e paciente é a primeira que deve se formar e ela deve crescer na base da confiança. Para tal, o profissional tem de ter autonomia para fazer todos os exames e procedimentos necessários a seu diagnóstico. Quando o plano nega autorizações, está maculando essa relação e desrespeitando, além do médico, o paciente”, comentou D’Avila.
"Precisamos de ações concretas e ágeis por parte dos órgãos reguladores da saúde suplementar para tomar decisões que melhorem efetivamente a situação. País que quer crescer tem de respeitar a Saúde, que é a principal preocupação da nossa população hoje, maior prejudicada pelos planos de saúde”, finalizou o vice-presidente da AMB, Jorge Curi.
O movimento de paralisação e alerta foi sustentado pela pesquisa de relação entre médicos, cirurgiões-dentistas e fisioterapeutas com planos de saúde, realizada pela APM, que mostra a insatisfação dos profissionais com as administradoras dos convênios, além de apontar índices altos de dificuldades como a restrição ou não autorização de procedimentos e glosas indevidas, por exemplo.