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Justiça determina retomada do serviço de aborto legal no Hospital Cachoeirinha em São Paulo

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06/03/2026 | Notícia Simesp

Justiça determina retomada do serviço de aborto legal no Hospital Cachoeirinha em São Paulo

Decisão do Tribunal de Justiça rejeita recurso da prefeitura e obriga a reabertura do atendimento. Simesp destaca importância do serviço diante do aumento da violência sexual contra mulheres e crianças

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a retomada imediata do serviço de aborto legal no Hospital e Maternidade Municipal Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da capital. A decisão negou recurso apresentado pela gestão do prefeito Ricardo Nunes e confirmou sentença anterior que já obrigava a prefeitura a restabelecer o atendimento especializado na unidade.

O serviço havia sido suspenso em dezembro de 2023 pela prefeitura sob a justificativa de reorganização da rede hospitalar. No entanto, o tribunal entendeu que, na prática, houve interrupção do atendimento garantido por lei, dificultando o acesso de mulheres e meninas vítimas de violência sexual ao procedimento previsto na legislação brasileira.

O hospital é historicamente referência na realização do aborto legal — permitido no Brasil em casos de gravidez decorrente de estupro, risco de morte para a gestante ou diagnóstico de anencefalia fetal — e integra a rede de atendimento às vítimas de violência sexual.

Para a secretária geral da diretoria plena do Simesp, Juliana Salles, a decisão representa uma vitória importante para a garantia dos direitos das mulheres e para o acesso à saúde pública. “Diante dos números alarmantes de violência sexual contra mulheres e crianças no país, é uma vitória poder contar novamente com um serviço de referência como o do Hospital Cachoeirinha. Infelizmente, a gestão de Ricardo Nunes vem perseguindo mulheres e meninas vítimas de violência sexual, dificultando o acesso ao aborto legal na cidade. A retomada do atendimento é um passo importante para garantir que elas não sejam revitimizadas pelo próprio sistema de saúde. É simbólico que essa decisão aconteça justamente às vésperas do Dia Internacional da Mulher.”

Na decisão, os desembargadores afirmaram que a suspensão do serviço representou um retrocesso no acesso a direitos fundamentais e pode configurar violência institucional contra vítimas de violência sexual.

Para o Simesp, a garantia do atendimento previsto em lei é parte essencial da política pública de saúde e deve ser assegurada pelo poder público sem barreiras administrativas ou ideológicas.