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14/10/2011 | Notícia Simesp

Jazz e história

Mostra multimídia sobre Miles Davis, um dos principais músicos do século 20, chega a São Paulo para ocupar o segundo andar do Sesc Pinheiros

A exposição Queremos Miles!, sobre o americano Miles Davis, começa no Sesc Pinheiros na quarta (19). A abertura é só para convidados, mas a partir de quinta você pode visitar a mostra, que busca reconstruir a trajetória do músico com uma coleção de mais de 300 peças, como instrumentos, partituras originais, manuscritos, fotos e obras de arte. As preciosidades incluem trompetes com o nome do músico gravado e um saxofone de John Coltrane, que tocou com Miles nos anos 50.

Dividida em blocos temáticos, a exposição segue uma ordem cronológica: da infância do músico em St. Louis, no estado americano do Missouri, até o concerto de julho de 1991 no La Villette, em Paris, pouco mais de dois meses antes de sua morte. E como apenas a visão não dá conta da grandeza do trompetista, a música de Miles também faz parte da exposição, além de documentários.

A ‘Queremos Miles!’ foi organizada pelo Cité de la Musique, de Paris, com curadoria de Vincent Bessiéres, e depois foi para o Museum of Fine Arts de Montreal, antes de vir para o Brasil.

Brasil que não está ausente da história do compositor: o músico alagoano Hermeto Pascoal foi parceiro de Miles, que o chamou de “o músico mais impressionante do mundo”. E a música ‘Little Church’ se chamava ‘Capelinha’.

Sesc Pinheiros. R. Paes Leme, 195, 3095-9400. 13h/ 22h (sáb. e dom., 10h/19h; fecha 2ª). Inauguração: 5ª (19). Grátis. Até 25/1.

Para ouvir ao vivo

+ A Orquestra Jazz Sinfônica apresenta duas suítes com temas do compositor – uma com músicas do álbum ‘Sketches of Spain’, e outra sobre ‘The Birth of the Cool’. Sesc Pinheiros. Teatro (1.010 lug). R. Paes Leme, 195, 3095-9400. 5ª (20), 21h. R$ 8/R$ 16.

+ Na próxima semana, o contrabaixista Ron Carter apresenta o show ‘Dear Miles’, em homenagem ao músico, com quem tocou na década de 60. Sesc Pinheiros. Teatro (1.010 lug). R. Paes Leme, 195, 3095- 9400. 6ª (21) e sáb. (22), 21h. Dom. (23), 18h. R$ 20/R$ 40.

Saiba mais sobre Miles:

Em quase cinco décadas de carreira, Miles nunca parou de mudar – mudando pelo caminho também o jazz. Ele começou a carreira tocando bebop, um estilo inovador e acelerado que surgiu na década de 40, mas sua abordagem íntima e lírica do trompete logo o levaria a dar um passo além do bop. E depois outro. E outro. E outro. Leia abaixo sobre três discos que marcaram revoluções das quais o músico participou.

Cool

O álbum Birth of the Cool foi lançado só em 56, mas as músicas foram gravadas por uma banda de nove músicos em três sessões entre 49 e 50. Essas composições marcam o início do cool, que manteve alguns elementos do bebop, com mais arranjos e uma pegada bem introspectiva. Por aqui, o estilo influenciou o surgimento da bossa nova.

Modal

Um dos maiores sucessos do jazz, o álbum Kind of Blue, lançado em 59, marca um encontro de dois gigantes: Miles e o saxofonista John Coltrane. Juntos, eles abandonaram as progressões de acordes e colocaram modos – tipo de escala musical – como pano de fundo para os solos. Na década seguinte, Coltrane se aprofundaria nesse estilo.

Fusion

Bitches Brew, de 70, não foi o primeiro disco ‘elétrico’ de Miles, mas foi o responsável por solidificar o gênero conhecido como fusion: improvisações de jazz sobre ritmos e instrumentos de rock (nada de baixo ou piano acústicos). James Brown e Jimi Hendrix foram algumas das influências absorvidas, e modificadas, por Miles nesse trabalho.