De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Eder Gatti, a entidade tenta diálogo com o prefeito da cidade, Rubens Furlan, há muito tempo e já havia alertado sobre a possibilidade de ocorrerem calotes. “Estamos em contato com os médicos para buscar saídas judiciais para a situação”.
Furlan, que prometeu em seu discurso de posse oferecer “medicina de rico para o povo pobre”, promoveu a terceirização dos serviços de saúde do Sameb em 2017, colocando uma organização social (OS), o Instituto Gerir, para administrar os serviços da unidade, que deixou de administrar o serviço no final de setembro, deixando para trás falta de pagamento de três meses. “Não nos parece ser coincidência que a mesma OS pratique calotes exatamente iguais em duas cidades diferentes. Ela faz isso porque contrata os médicos de forma precária, o que acaba com as garantias de pagamento da CLT”, explica Gatti.
Quando assumiu a gestão, a OS substituiu médicos que eram concursados e experientes por profissionais terceirizados, com vínculos precários e salários desvalorizados. Como consequência, a população sofre desassistida, com falta de profissionais, superlotação no atendimento e uma péssima estrutura para pacientes de emergência. “Os médicos merecem condições dignas de trabalho e a população merece serviços de saúde de qualidade”, disse Gatti.
Furlan culpabilizou profissionais da saúde pelo caos de sua gestão
“Para se ter uma ideia do absurdo da fala do prefeito, recebemos denúncias de que faltam luvas, álcool, gesso, seringas, soro fisiológico e estão sendo usadas caixas de papelão no lugar de caixas de perfuro (para descarte de materiais pontiagudos) no Serviço de Assistência Médica de Barueri (Sameb). Além disso, também faltam medicamentos como corticoides e medicamentos para asma e bronquite. Como é possível culpabilizar os funcionários pelo abandono dos serviços praticado pela gestão Furlan?”.