Parte dos funcionários do Centro de Saúde Escola Barra Funda “Dr. Alexandre Vranjac”, um dos braços da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo na capital paulista, foram trabalhar vestindo roupas pretas nesta sexta-feira, 26, em protesto contra o fechamento do local. Segundo funcionários, o aviso do fechamento – que deve acontecer em 31 de março – ocorreu nesta semana.
A reportagem do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) esteve na unidade nesta sexta pela manhã e notou um clima de consternação e indignação. Cartazes espalhados pelos corredores e departamentos anunciavam o encerramento das atividades.
Na porta de um dos departamentos, uma funcionária gritou em direção às colegas – “nós vamos lutar, e não, não vai fechar!”.
Mesmo sabendo da crise que a assola a irmandade, ocasionada principalmente pela má gestão e falta de recursos, os trabalhadores usaram palavras como “injustiça” e “absurdo” para resumir seus sentimentos. No momento da visita, a direção da unidade realizava uma reunião com alguns trabalhadores para decidir quais medidas irá tomar contra o fim das atividades.
Uma funcionária, que pediu para não ser identificada, disse que os 118 trabalhadores da unidade, sendo 15 deles médicos, não foram informados se serão ou não realocados para outras unidades. “Não fomos informados de nada. O que posso dizer é que a comunidade atendida pelo centro está se mobilizando contra o fechamento. Atendemos quase 17 mil pessoas por mês que ficarão desassistidas”, lamentou.
O Simesp solicitou explicações por escrito à Santa Casa de Misericórdia e ao governo do estado sobre a situação da instituição, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O presidente do Sindicato, Eder Gatti, disse que “não podemos ficar de braços cruzados diante do fechamento de uma unidade de saúde tão importante”.
O Centro de Saúde Escola Barra Funda foi fundado em 1968, funcionando como uma Unidade Básica de Saúde (UBS), além de ser um centro de referência em ensino em atenção primária e pesquisa. Também é considerado uma referência saúde da família e assistência à população em situação de rua, como viciados em drogas e transexuais. Por todas essas razões, é um prejuízo não só para a população, mas também aos cerca de 50 alunos que fazem residência no local.
Crise
A crise da Santa Casa de Misericórdia teve seu ápice em meados de 2014, quando o hospital central, na Santa Cecília, deixou de atender casos de emergências e urgências, alegando falta de condições financeiras. De lá para cá, o que se viu foi uma política de desmonte que atinge outros hospitais filantrópicos do país, com demissões e fechamento de unidades.