Com apenas um médico pediatra no plantão, o Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP) optou por uma medida drástica: na última quarta-feira, 20, a direção da unidade decidiu que passará a restringir o atendimento a apenas casos emergenciais durante o dia (das 7h às 19h). O argumento é que o déficit da especialidade não permite a manutenção do PS em período integral mantendo os padrões mínimos de qualidade e segurança.
Na tarde de segunda-feira, 25, o Sindicato dos Médicos de São Paulo (SIMESP) realizou uma assembleia para discutir a situação do hospital, cuja crise se arrasta desde 2014. Na reunião, ficou acordada a emissão de um documento sobre a precariedade do sistema para a administração do HU e para a reitoria da USP. A exigência imediata é que sejam feitas as contratações de médicos, enfermeiros e técnicos suficientes para que o serviço funcione integralmente, normalizando as condições de trabalho desses profissionais.
“A falta de médicos está gerando uma condição de trabalho insustentável para aqueles que tentam manter o atendimento à população. Chegamos ao ponto de ter médicos que pedem demissão espontaneamente por conta disso”, diz o diretor do Simesp, Gerson Salvador. O diretor alerta que, se o hospital não contratar imediatamente os novos profissionais, outros prontos-socorros também terão que fechar, uma vez que todo o sistema de atenção à saúde está com falta de profissionais e não conseguem atender à demanda da população corretamente.
“O corpo clínico do pronto–socorro do HU precisa ser reconstituído com urgência, pois todos os PSs já estão com sobrecarga no atendimento, tornando impossível absorver essa população que estará desamparada e garantir a qualidade na assistência à saúde”, finaliza Salvador. O déficit de profissionais começou com o Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV) da USP, responsável pela saída de 213 profissionais. Impedido de fazer novas contratações, as condições de trabalho no HU continuam críticas.
Outros hospitais
Não é somente o HU-USP que sofre com a falta de médicos pediatras. Há um déficit da especialidade generalizado, tanto em hospitais municipais como estaduais.
No Conjunto Hospitalar do Mandaqui, na zona norte de São Paulo, houve até registros de casos de agressões por parte de familiares de pacientes contra médicos pediatras. Com o surto de H1N1 na capital paulista, houve aumento considerável da demanda de pacientes no hospital, que também já se viu obrigado a fechar as portas do pronto-socorro infantil por não ter número de profissionais suficiente para atender tanta gente.
A falta de concursos públicos e a pouca atratividade da carreira oferecida pelo estado está, na opinião do Simesp, entre as causas do déficit de médicos na rede pública estadual.