Conforme matéria especial divulgada pelo programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, no dia 1º de julho de 2012, diversos hospitais universitários funcionam sem a mínima condição de prestar boa assistência, prejudicando estudantes de Medicina e pacientes. A situação é precária, sobretudo em hospitais de ensino ligados às universidades federais. Muitos cursos de Medicina sem hospital-escola próprio fazem convênios com hospitais públicos totalmente inadequados para atividades de ensino.
O problema, agora também comprovado pelo Fantástico, já vinha gerando grande repercussão desde o anúncio recente, feito pelo governo federal, de ampliação de 2.415 novas vagas em cursos de Medicina.
Segundo o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Renato Azevedo Júnior, além ignorar os reais motivos da ausência de médicos em diversos serviços e localidades, os ministérios da Educação e da Saúde prestarão um desserviço à sociedade. “Mais vagas jogarão no mercado médicos sem qualificação, com a abertura de cursos em condições inadequadas, inexistência de corpo docente qualificado para atender à nova demanda de alunos, sem hospitais de ensino e insuficiência de vagas na Residência Médica”. Confira aqui recente editorial do presidente do Cremesp sobre o tema.
Problema é antigo
Há seis anos, em 2006, o Cremesp divulgou um relatório sobre os hospítais de ensino, após visita a 229 serviços pertencentes ou vinculados a escolas médicas no Estado de São Paulo que recebem estudantes internos de quinto e sexto anos de Medicina.
Na ocasião foi constatado que há sérias deficiências em boa parte dos serviços responsáveis pela formação prática dos futuros médicos. Instalações precárias para as atividades de ensino, procedimentos que não seguem os padrões recomendados, ausência de supervisão adequada aos estudantes durante os plantões, preenchimento incorreto de prontuários de pacientes foram alguns dos muitos problemas verificados pelo Cremesp durante as visitas.
Além da repercussão negativa na formação dos estudantes, as deficiências encontradas prejudicam o atendimento à população. Muitos desses serviços são referências no sistema de saúde, pois também prestam assistência médica em geral, são responsáveis por atendimentos de urgência e procedimentos de alta complexidade. Os problemas constatados eram mais graves nas escolas conveniadas a hospitais privados para o treinamento prático dos futuros profissionais.
Do total de 229 visitas, o Cremesp vistoriou 53 hospitais, 52 prontos-socorros, 42 ambulatórios e 82 unidades básicas de saúde. Os dados foram coletados por médicos fiscais do Cremesp. Um novo trabalho, semelhante ao realizado em 2006, deve ser iniciado ainda neste ano de 2012 no Estado de São Paulo.