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Hosiptais da região de Ribeirão Preto tem déficit de 1,3 mil leitos

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13/01/2014 | Notícia Simesp

Hosiptais da região de Ribeirão Preto tem déficit de 1,3 mil leitos

Hospitais da região de Ribeirão Preto, referência nacional em Saúde e serviços médicos de alta complexidade, tem um déficit de 1.307 leitos. Considerando a média de leitos preconizada pela o OMS (Organização Mundial de Saúde) e o Ministério da Saúde – de 2,5 a 3 leitos por mil habitantes – a região precisaria ter, ao menos, 3.549 vagas públicas para internação.

A Secretaria Estadual de Saúde informa existir 2.242 leitos na região destinados a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), para uma população de 1.419.891 habitantes.

Além do alto déficit, a região ainda tem dois agravantes. Quase 30% das 1.097 vagas do Hospital das Clínicas são destinadas a pacientes “estrangeiros”, aqueles vindos de outras regiões e estados.

Soma polêmica

O DRS de Ribeirão Preto contesta o déficit alegando que 25% da população regional (cerca de 355 mil pessoas) é usuária de planos de Saúde. Ainda assim, haveria um déficit de, ao menos, 426 vagas para cumprir a determinação da portaria GM 101/2002, do Ministério da Saúde.

A docente da USP de Ribeirão Preto Cláudia Souza Passador, especialista em gestão pública, diz que “essa conta é ilusória”.

“O governo conta com uma participação dos planos de saúde, mas hoje, os planos não realizam os atendimentos de alta complexidade em sua totalidade e os atendimentos considerados de nível terciário estão nos hospitais escola, como o Hospital das Clínicas, em Ribeirão Preto”, diz.

Na outra ponta do problema, ela diz que a falha no sistema tripartite do investimento na saúde tem um impacto na distribuição dos leitos que implodem em cidades que tem o atendimento de alta complexidade.

“As cidades menores não conseguem arcar com essa responsabilidade e os pacientes são encaminhados para as cidades maiores”, afirma a especialista.

Ribeirão vira esperança para mãe de Gabriel

Lourdes Alves Soares, 44 anos, mãe de Gabriel Soares de Oliveira, 5 anos, veio depositar suas esperanças no Hospital das Clínicas de Ribeirão. Ela é de Rondonópolis, Mato Grosso do Sul. Há cinco meses, ele passou por uma cirurgia para corrigir uma deformação em um dos lados do coração, que nenhum outro hospital do país teve condições de fazer.

“Ele precisava dessa cirurgia definitiva desde quando nasceu e descobriram a cardiopatia dele, meu filho foi atendido em Cuiabá e em São José do Rio Preto, mas só aqui ele conseguiu ser operado”, conta a mãe, que ganhou o tratamento de Gabriel na Justiça.

Novo procedimento

O menino ainda precisa passar por outra cirurgia nas cordas vocais, mas apresentou problemas novamente no coração que precisam ser corrigidos antes da nova intervenção.

Ele não está mais internado, segue em tratamento na cardiologia infantil do Hospital das Clínicas e passou por consulta na última quarta-feira, dia 8 de janeiro.

“O que a gente sempre quer é que o estado da gente tenha recursos para poder atender a gente, lá. Mas, graças a Deus, meu filho tem muita sorte, eu consegui vir para cá e não tenho do que reclamar”, afirma Lourdes, com as esperanças renovadas.

Pacientes da região encaram fila

Enquanto pacientes de outros estados precisam do atendimento de referência do hospital das Clínicas, pacientes da região demoram para conseguir encaminhamento.

O adolescente Rafael Ribeiro Correa, 14 anos, levou 9 meses para agendar, pela saúde estadual, uma consulta na ortopedia infantil do Hospital das Clínicas, que é a única referência nessa área, na região.

Essa demora em conseguir a consulta pela especialidade, reflete a dificuldade que os municípios sentem em encaminhar pacientes para o HC.

Por meio de nota, a Saúde nega que que a região tenha leitos insuficientes.

O Departamento Regional de Saúde (DRS) diz que tem 2.242 leitos gerais e especializados pelo SUS, sendo 100 de UTI, além de outros 67 em fase de implantação.

Sobre as consultas de especialidade, a pasta estadual também diz que não existe falta de vagas para atendimentos.

HC recebe ‘estrangeiros’

Luís Otávio, um bebê de oito meses, conseguiu transferência para internação na CTI pediátrica do HC, no dia 19 de novembro. Ele não resistiu a um tipo de imunodeficiência e morreu no dia 16 de dezembro. Médicos de Minas Gerais não conseguiram descobrir o que Luís Otávio tinha.

“É triste ouvir o hospital dizer que não pode fazer nada pelo seu filho”, diz Elaine Palhares Crispin, 28 anos, mãe do Luís Otávio. Ela ouviu a frase do Hospital Escola de Uberaba, onde mora. Depois de um pedido desesperado de uma médica, o bebê conseguiu uma vaga no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.

Ele era apenas uma das muitas pessoas que chegam de outros estados e precisam do atendimento do hospital de Ribeirão, referência nacional em diversos tipos de tratamento. O HC nega que os “estrangeiros” façam pacientes da região ficarem sem vaga.

Por ano, segundo dados do HC, são feitos 480 mil atendimentos no hospital. O HC atende 1.219 cidades de todo o país, 27% desse atendimento é prestado a pacientes de outros estados e de outras regionais de Saúde.

Rede precisa melhorar

Em nota, o Hospital das Clínicas diz que, apesar desses atendimentos, não se pode dizer que pacientes da região são prejudicados pelo atendimento de outras DRSs, pois o hospital atende uma regulação nacional pelo fato de ser um hospital escola.

No entanto, o HC diz que existe uma dificuldade financeira na região para estruturar o serviço secundário de atendimentos. “A melhor estruturação da rede regional secundária e primária de atenção à saúde é necessária e, certamente, aliviaria o volume de pacientes encaminhados ao Hospital das Clínicas e abriria espaço para novos pacientes com doenças de alta complexidade. Muitos dos pacientes aqui atendidos poderiam ter seu caso resolvido na rede secundária e primaria, se bem estruturada”, diz a nota.