Simesp

Greve na Atenção Primária do Rio expõe precarização semelhante à enfrentada por médicos em São Paulo

Home > Greve na Atenção Primária do Rio expõe precarização semelhante à enfrentada por médicos em São Paulo
16/03/2026 | Notícia Simesp

Greve na Atenção Primária do Rio expõe precarização semelhante à enfrentada por médicos em São Paulo

A greve de médicas e médicos da Atenção Primária à Saúde (APS) no município do Rio de Janeiro evidencia problemas estruturais que também vêm sendo denunciados pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) em diversas cidades paulistas. Entre as principais queixas dos profissionais estão os salários defasados, sobrecarga de trabalho, falta de diálogo com a gestão e atrasos em pagamentos vinculados a metas de desempenho estabelecidas pelas organizações sociais de saúde (OSs).

No Rio, a paralisação foi iniciada no dia 2 de março e deve durar pelo menos 30 dias. De acordo com o diretor de comunicação do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ), Milton Santos Martins da Silva, o movimento é resultado de um processo de desgaste acumulado nos últimos anos. Segundo o diretor, os profissionais da APS enfrentam uma defasagem salarial que já dura anos, além do não pagamento de valores ligados ao desempenho das equipes.

“Nosso salário na Atenção Primária está defasado há pelo menos sete anos. Fizemos o cálculo e seria necessário um reajuste de 27,4% apenas para recompor a inflação. Além disso, as equipes vêm sendo cobradas por metas de desempenho que simplesmente não são pagas, o que gera uma sensação permanente de calote”, afirma.

Além das questões salariais, os profissionais também denunciam aumento das atribuições e condições de trabalho cada vez mais difíceis. Entre os problemas relatados estão a necessidade de operar simultaneamente diversos sistemas digitais, a responsabilidade de realizar regulação de consultas especializadas e a ausência de protocolos claros para lidar com situações de violência nas unidades de saúde.

“Hoje o médico de família e comunidade acumula funções assistenciais, administrativas e até de regulação. Muitas vezes o profissional precisa interromper o atendimento para disputar vagas de consulta em plataformas que abrem ao mesmo tempo para todo o município. Isso gera uma estafa enorme na categoria”, relata Silva.

Situação semelhante em São Paulo

Problemas semelhantes têm sido registrados em municípios do estado de São Paulo. Nos últimos meses, o Simesp denunciou casos de precarização das condições de trabalho na APS, incluindo atrasos salariais, demissões arbitrárias e processos de pejotização que fragilizam o vínculo dos profissionais.

Em Registro, por exemplo, o sindicato denunciou calotes e demissões após mudanças na gestão dos serviços de saúde. Já em Botucatu, profissionais relataram salários congelados desde 2018, além da crescente substituição de vínculos formais por contratos via pessoa jurídica.

Para o diretor de relações sindicais e associativas do Simesp, Guilherme de Sousa Barbosa, os casos revelam um processo mais amplo de desvalorização da Atenção Primária à Saúde, etapa fundamental para o funcionamento do sistema de saúde.

“Quando observamos o que acontece no Rio de Janeiro e em diversas cidades de São Paulo, incluindo a capital, fica claro que os problemas são muito semelhantes: salários defasados, precarização dos vínculos e sobrecarga de trabalho. Essa lógica enfraquece os profissionais da Atenção Primária e, consequentemente, compromete o próprio funcionamento do SUS”, explica Barbosa.

Para o sindicato, a valorização dos profissionais que atuam na APS é condição essencial para garantir o acesso da população aos serviços de saúde e fortalecer a saúde pública e gratuita à população com qualidade.