Boa parte dos serviços de pronto atendimento do município, que já sofriam com problemas estruturais e falta de medicamentos, já não estão funcionando na sua plenitude. É o caso do Pronto Socorro Pestana, que está funcionando apenas para casos de urgência e emergência. Essa situação ocorre porque desde julho os médicos sofrem recorrentes atrasos de salário e preferem deixar de trabalhar em Osasco. A Pires &Vanci, que pagava os profissionais apenas após 45 dias do término do mês, passou a dizer aos que só realizará os pagamentos após 60 dias e mesmo assim também atrasa.
Para Gatti, isso é resultado do modelo adotado pela gestão, que enquadra os médicos como sócios ou prestadores de serviços. “Tudo isso é consequência de uma política equivocada e irresponsável do prefeito Rogério Lins. Além de promover a fraude trabalhista, o modelo é ruim, os profissionais ficam sujeitos a calotes e são privados de direitos trabalhistas. A Pires & Vanci deveria contratar os médicos como CLT, mas o que acontece é que a empresa frauda as relações de trabalho.”
Esquema fraudulento
Ainda segundo o presidente do Simesp, de forma pensada, a empresa Pires & Vanci se aproveita dos médicos exigindo que eles virem “sócios” da empresa. Essa forma de “contratação” é uma estratégia para dificultar o acesso dos médicos à Justiça do Trabalho para que os calotes continuem sendo aplicados sem nenhum tipo de punição legal. “A empresa é cúmplice da prefeitura e o médico acaba se tornando uma vítima, sendo enganado nesse esquema sem poder recorrer depois. No final, quem mais sofre é a população, que depende do atendimento.”
Calote certeiro na troca de gestão
Empresa sem lenço e documento
Em contrapartida, diversos médicos que foram persuadidos a serem sócios minoritários da empresa têm os seus nomes listados na Junta Comercial. Ser sócio de uma empresa implica em lidar com quaisquer ônus do empreendimento, inclusive arcar com as custas de uma possível falência.
Já quando é procurada a sede da empresa, dois endereços apontam para lugares abandonados, no Morumbi e na Mooca, e o contato por telefone não foi possível com os números encontrados na internet. Para alguns médicos, foi informado que o único contato que poderia ser feito com a empresa seria por WhatsApp.
A Pires &Vanci também tem histórico de falta de pagamentos em serviços prestados para as organizações sociais Fundação ABC e Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).
Como evitar a fraude?
Caso o médico aceite esse tipo de contratação, é preciso exigir a via do contrato assinada por ambas as partes e guardar o máximo de documentos possíveis que comprovem que o médico trabalhou no serviço. O departamento jurídico do Simesp está à disposição para tirar todas as dúvidas dos médicos associados e realizar atendimentos de advogados especializados de forma gratuita.
É importante ressaltar que a única garantia real que o profissional possui é ter um contrato com vínculo CLT, pois ele terá acesso à Justiça do Trabalho, que o defenderá.