Como estará a saúde no futuro? Esse é o tema central do Fórum Internacional da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), que está sendo realizado nesta terça e quarta-feira, dias 2 e 3 de agosto, no Hotel Sofitel, em São Paulo.
O primeiro módulo de palestras do programa contou com a presença de Ezekiel Emanuel, médico bioeticista e assessor da Casa Branca, que discorreu sobre a reforma do sistema de saúde nos Estados Unidos. Otimista, ele revela: “tenho certeza que até 2020 o sistema de saúde americano estará muito melhor que hoje”.
Ezekiel explicou que foram necessárias seis tentativas de reforma no seu país para que o sistema escolhido fosse aprovado. Segundo ele, o “sistema americano terá cobertura oficial e integral, utilizará prontuários eletrônicos e terá acesso a um número maior de informações para guiar a tomada de decisões no setor, reduzindo simultaneamente exames e tratamentos desnecessários, mas fortalecendo o envolvimento dos profissionais de saúde com os pacientes”.
De acordo com o palestrante, a reforma do sistema de saúde americano pretende eliminar as rescisões, os limites para o atendimento (sobretudo de pessoas com doenças crônicas e idosos), permitindo que os filhos utilizem o seguro público de saúde até completarem 26 anos. “A possibilidade de aquisição de um seguro saúde eficiente e eficaz é a principal lição que podemos extrair para o Brasil”, afirmou Ezekiel.
“Todas as disposições tendem a controlar custos e podemos economizar centenas de milhões de dólares neste processo”, alertou o especialista, que enfatizou a necessidade de se distribuir igualmente os gastos da saúde pela população. Outro aspecto desta reforma, segundo o palestrante, é considerá-la como um “bem público”, possibilitando que vários países aproveitem as informações e adequem os diversos parâmetros do sistema à sua realidade.
Seguido de importantes nomes como Henrique Meirelles, Celso Lafer e José Gomes Temporão, o módulo foi encerrado para dar espaço às considerações finais e perguntas da plateia.
A segunda palestra, proferida por Victor Dzau, Reitor para Assuntos de Saúde da Universidade Duke (Carolina do Norte – EUA), Presidente e CEO da Duke University Medical Center, abordou a relação entre escolas médicas e os sistemas de saúde.
Para Dzau, é necessário haver uma transformação para a realização de pesquisas na área da saúde, com um redesenho importante dos cuidados com o paciente, considerando não apenas a saúde individual, mas também da comunidade como um todo. “É preciso acelerar as pesquisas básicas, estabelecendo foco e priorizando objetivos e resultados”, lembrou o palestrante. Além disso, na sua visão, o momento não representa somente um desafio, mas uma oportunidade para que representantes da área da Saúde exerçam sua liderança.
Durante o final da manhã, o módulo de palestras também contou com a participação de outros especialistas, dentre eles, Paulo Skaf, que abordou Ética e eficiência a serviço das pessoas – SUS 2021, e Maurício Ceschin, com a palestra sobre Perspectivas da ANS para 2021.