Teve início na noite da última quinta-feira (08), em Goiânia, o II Encontro Nacional de Museus de História da Medicina. O evento, realizado pela Federação Nacional dos Médicos em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de Goiás visa aproximar os Museus de História da Medicina e impulsionar a implementação de uma Rede Brasileira de Museus de História da Medicina, bem como discutir técnicas referentes a museus.
"Espera-se que a universidade, como o berço da cultura, da ciência e da intelectualidade possa trazer para si o apoio necessário e devido para que os museus que se constituem pelo país afora possam se constituir em uma Rede, onde a reciprocidade de informações de memória e centro de pesquisa possam contribuir para os médicos e para a sociedade como um todo," pontuou o presidente da FENAM, Cid Carvalhes.
Em sua abertura, o evento contou com a participação de profissionais e acadêmicos de medicina, bem como historiadores, museologistas e interessados por História da Medicina. O diretor da faculdade, Vardeli Alves de Moraes, acredita na criação da Rede como um fortalecedor de uma disciplina que o mesmo acompanha há mais de vinte anos. "Acho que esta rede vai complementar consideravelmente o estudo da historia da medicina."
Presente no evento, o presidente do Sindicato dos Médicos de Goiás, Leonardo Reis, manifestou o apoio da entidade na criação da rede e apontou a importância da conservação da história de uma das profissões mais antigas do mundo. " A iniciativa é extremamente importante, na medida que a memória e todo o acervo da história da medicina deve ser conservado, preservado e repassado às gerações futuras. Acredito que essa rede vem fomentar e incentivar a formação dos museus de medicina e fortalecer aqueles que já existem."
"É um desafio bastante significativo e uma proposta nova. Estamos trabalhando nesse sentido, enfrentando as dificuldades que naturalmente caracterizam um pioneirismo e temos uma expectativa muito grande. A FENAM pode perfeitamente capitanear e convergir esses interesses fazendo com que o elo de ligação entre essas iniciativas, permita de fato uma rede que, com o auxilio da comunicação eletrônica e dos diversos meios que nós dispomos, possamos dar um salto de qualidade no sentido da reciprocidade das informações", finalizou o presidente da FENAM, Cid Carvalhaes.
A abertura do encontro contou com a presença do presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D´Avilla, presidente da Federação Brasileira das Academias de Medicina, José Leite Saraiva e do Secretário de Comunicação da FENAM e coordenador da Rede Brasileira de Museus de História da Medicina, Waldir Cardoso.
Museus do século XXI – a importância das Redes
Após a mesa de abertura, os participantes ouviram a especialista em museologia, Manuelina Duarte. A professora destacou os cuidados e as peculiaridades que uma rede de museus deve ter. Para ela, é importante a racionalização dos acervos para que um museu não tenha objetos que se repitam em outro. "Acho que especialmente em relação ao acervo, temos uma febre recolhedora nos museus. Devemos tentar preencher as lacunas existentes em nossos acervos e evitar recolher apenas doações. Se os museus ficam só aguardando doações, vão se tornar réplicas um do outro, mudando apenas o nome e a localidade," explicou.
Ela também apontou a importância da criação de redes e sistemas de museus, considerados tendências nos dias de hoje. "As redes fortalecem todos os elos e podem ter várias vantagens na divulgação e na circulação de informações."
Museus de História da Medicina como agentes da memória e difusão cultural
Os museus de história da Medicina como agentes da memória e difusão cultural foi o tema da mesa redonda do segundo dia do II Encontro Nacional de Museus de História da Medicina, realizado na manhã desta sexta-feira (9). Durante o encontro, o professor de clínica médica da Faculdade de Medicina da UFG, Heitor Rosa, apontou a necessidade da criação de um museu de história da medicina no estado e elogiou o encontro. "Estou encantado com as ideias inteligentes e com a interação que existiu aqui hoje. Essa troca não só de experiências, mas também culturais onde formou-se um complexo intelectual muito interessante."
Em seguida, a museóloga Kátia Costa e Silva fez um breve relato dos 182 anos da Academia Nacional de Medicina. O historiador Éverton Quevedo, diretor do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM) também compartilhou sua experiência com os participantes do evento e relatou como são feitas as atividades da equipe do Museu que dirige.
Já o historiador André Mota, apresentou sua experiência na revitalização do Museu Histórico Prof. Carlos da Silva Lacaz, da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). O museu, criado em 1977 foi reinaugurado em 2009, exibindo peças e documentos desde o século 14.
A museóloga e especialista em cultura e história brasileira, Eloísa Ramos Sousa, do Museu da Vida, da Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, apresentou como a história da medicina brasileira tem sido conservada pela Fundação.
Catalogação de acervos tridimensionais
No período da tarde, os participantes do II Encontro Nacional de Museus de História da Medicina terão a oportunidade de participar de minicursos de catalogação de acervos tridimensionais, com o professora Ana Ramos Rodrigues do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM).
No último dia do encontro, sábado, 10 de setembro, será realizado outro minicurso das 8 às 10 horas sobre Plano Museológico, sob a responsabilidade do professor Marcio Rangel. Na sequencia, a palestra sobre fontes para a Historia da Medicina no Brasil: como os Museus podem colaborar para escrever a História da Medicina.