O Hospital Infantil Cândido Fontoura, equipamento de saúde estadual referência na região da zona leste de São Paulo, fechou as portas no final da tarde de quinta-feira, 14, por falta de médicos pediatras. Pacientes e seguranças do hospital discutiram na porta do pronto-socorro e o atendimento foi limitado apenas aos casos mais graves. Na manhã desta sexta-feira, 15, o hospital foi reaberto, mas novos fechamentos podem voltar a acontecer a qualquer momento por conta de falta de médicos.
A falta de profissionais nos serviços de pronto-atendimento de baixa complexidade e a baixa resolutividade da atenção básica estão gerando revolta na população, que acaba lotando hospitais especializados. O mesmo já foi observado em outros centros de referência, como o pronto-socorro do Hospital Mandaqui.
Com o aumento no movimento do pronto-socorro pediátrico de hospitais de maior complexidade, a maioria sob gestão do governo estadual, estes serviços não conseguem atender à demanda, uma vez que as unidades hospitalares também não contam com um número suficiente de médicos, resultado da escassez de concursos públicos e da baixa atratividade da carreira oferecida pelo estado de São Paulo.
O presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Eder Gatti, alerta que o desfalque na equipe médica é um problema de longa data. “Essa situação precisa ser urgentemente revista. Os médicos servidores do estado estão há mais de três anos sem reajustes, com uma perda salarial acumulada em quase 25%. Quem mais sofre com isso é a população, que não consegue um atendimento mais rápido”, afirma.
Ele explica que o corte no orçamento da saúde de R$ 3,8 bilhões oficializado pelo Governo Federal no fim do ano passado agrava ainda mais a situação, acompanhado pelo decreto do governador que impede a contratação de novos profissionais por concursos públicos. “Todos esses fatores somados impedem a oferta de assistência à saúde pública de qualidade à população. Temos o cenário perfeito para a proliferação de problemas no atendimento e cenas lamentáveis de revolta”, finaliza.