Jovens estudantes de medicina de todo o país saíram às ruas para protestar contra a possível contratação de seis mil médicos formados fora do Brasil sem revisão dos diplomas, no último sábado, 25. Em São Paulo, caravanas de 23 universidades manifestaram seu descontentamento em uma caminhada.
Por onde passou a comitiva com caras pintadas de verde e amarelo, entre os prédios da Avenida Brigadeiro Luis Antônio até o Largo São Francisco, as vozes ecoavam o lema “Revalidação automática, NÃO”. Os cartazes traziam dizeres como “Brasil, nos dê condições de trabalho e verás que um filho teu não foge à luta” e “Novos médicos não mudarão velhas estruturas”.
Os estudantes declararam por meio de um manifesto que não são contra a entrada de médicos estrangeiros no país, mas que sejam avaliados. “Visando uma oferta de medicina que seja exercida com qualidade, sendo preventiva e curativa”, defende a representante dos estudantes, Marjorie Arruda, do Centro Acadêmico da Santa Casa.
“Haverá grande dificuldade para compreender as reclamações do paciente se trouxerem médicos estrangeiros sem domínio da língua. Sendo que um dos critérios para revalidação em qualquer lugar do mundo é a proficiência da língua, que é fundamental para a interação com o paciente”, argumentou José Erivalder Guimarães de Oliveira, representante da Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e diretor do Simesp.
Os manifestantes também defendem a bandeira que aumentar o número de médicos não irá solucionar o problema, por não haver estrutura de trabalho. O secretário de Relações Sindicais e Associativas do Simesp, Otelo Chino Júnior acredita que a única solução para a saúde pública é uma reforma sanitária, que além de médicos envolve demais profissionais, com políticas de governo e de estado, destinando recursos suficientes à saúde.
Na ocasião, também foi destacado que os médicos estrangeiros estão insatisfeitos com a proposta do Brasil, conforme posicionamento da Ordem dos Médicos de Portugal. A representante dos estudantes também ressalta que existem muitas dúvidas sobre essa proposta e que precisam ser esclarecidas.
Além do Simesp, os estudantes tiveram o apoio Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Associação Paulista de Medicina (APM), Academia de Medicina de São Paulo e a Associação Médica Brasileira (AMB).