Na noite de 22 de fevereiro, em assembleia geral na sede do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), no centro da capital paulista, médicos de várias regiões do estado aprovaram a pauta de reivindicações da categoria dirigida aos planos de saúde. A proposta para o reajuste de consultas e procedimentos é de 20,54%.
Esse percentual se baseia na reposição da inflação do último ano e na recomposição de perdas acumuladas desde 1996. O cálculo foi apresentado na assembleia por Marun David Cury, diretor adjunto de defesa profissional da Associação Paulista de Medicina (APM).
Além da pauta de reivindicações, os médicos presentes também autorizaram que as entidades médicas negociem e, caso haja um acordo, celebrem contratos coletivos com as operadoras de planos de saúde e/ou suas entidades representativas.
“Entendemos que há uma relação de trabalho sim entre os médicos e essas operadoras”, disse Eder Gatti, presidente do Simesp, no início da assembleia. Gatti fazia alusão à jurisprudência criada pelo entendimento do judiciário de que o vínculo entre operadoras e seus prestadores de serviço pode ser configurado como uma relação de trabalho.
O presidente da APM, Florisval Meinão, também lembrou do fato. “Diante dessa interpretação, as entidades médicas de São Paulo nos reunimos e entendemos que é um caminho que pode nos auxiliar na luta por melhores honorários”, disse.
“A crise parece não existir para os planos de saúde. Por que vai existir pra gente”, perguntou Renato Azevedo, conselheiro e ex-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).
Afinal, lembrou o representante do Cremesp, os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar para os planos de saúde sempre ficam bem acima dos reajustes de consultas e procedimentos, sem falar dos salários, oferecidos por essas mesmas empresas aos médicos.
“Trazemos aqui o nosso apoio. Não somente a assembleia. Mas também as resoluções que aqui forem aprovadas”, ressaltou Mauricio Alchorne, diretor cultural da Academia de Medicina de São Paulo.