Simesp

Em protesto, trabalhadores da saúde cobram dissídio integral e melhores condições de trabalho em São Bernardo do Campo

Home > Em protesto, trabalhadores da saúde cobram dissídio integral e melhores condições de trabalho em São Bernardo do Campo
22/05/2026 | Notícia Simesp

Em protesto, trabalhadores da saúde cobram dissídio integral e melhores condições de trabalho em São Bernardo do Campo

Profissionais relatam arrocho salarial acumulado desde 2016, adoecimento mental e falta de diálogo com a Prefeitura e a Fundação ABC 

O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) em aliança com o Sindicato dos Médicos do Grande ABC e outros movimentos sindicais e sociais foram às ruas, no último dia 30 de abril, para denunciar o arrocho salarial imposto às categorias da saúde, cobrar o pagamento imediato do dissídio e reivindicar condições dignas de trabalho. A manifestação aconteceu na Praça Santa Filomena, no ABC Paulista.

Profissionais como médicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, assistentes sociais, nutricionistas, vigilantes da saúde e de demais categorias acumulam perdas salariais desde 2016. Segundo os organizadores do ato, o cenário é resultado dos impactos da Reforma Trabalhista, da Lei da Terceirização Irrestrita (2017) e da Reforma da Previdência (2019), além da ausência de reajustes efetivos e de aumentos considerados insuficientes por parte da organização social (OS) Fundação do ABC e da Prefeitura.

A falta de uma mesa ampla de negociação que reúna a prefeitura, a Fundação ABC e as entidades sindicais das diferentes categorias da saúde preocupa os profissionais envolvidos no movimento. Segundo os trabalhadores, a ausência de um espaço coletivo de diálogo dificulta o avanço das discussões sobre dissídio, recomposição salarial e melhorias nas condições de trabalho.

Além da pauta salarial, o protesto também denunciou condições inadequadas de trabalho. Segundo Jaime Torrez, representante do Simesp, profissionais relataram cenários de adoecimento físico e mental provocados por jornadas exaustivas, falta de insumos, pressão constante e violência no ambiente profissional. Ele contou que representantes da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio) alertaram ainda para casos alarmantes de dependência química, adoecimento psicológico e suicídios relacionados ao desgaste emocional enfrentado pelos trabalhadores da saúde.

Embora cerca de 50 pessoas tenham participado do protesto, outros trabalhadores relataram a Torrez receio em aderir à mobilização devido ao medo de exposição, assédio moral e constrangimentos em seus locais de trabalho.

Mesmo diante desse cenário, o movimento segue articulando novas ações em defesa do dissídio integral, de salários dignos e de melhores condições de trabalho. Panfletagens já vêm sendo realizadas em unidades de saúde da cidade e novas manifestações públicas devem ocorrer nas próximas semanas. As próximas iniciativas são manter intervenções mensais da Frente de Trabalhadores da Saúde de São Bernardo do Campo.