Médicos do Rio de Janeiro, em greve desde 26 de outubro, aguardam que o prefeito Marcelo Crivella abra um canal de diálogo. “A principal razão da greve é pela recomposição do orçamento”, explica Moisés Nunes, presidente da Associação de Medicina de Família e Comunidade do Estado do Rio de Janeiro. “A gente está vendo o desmonte da Atenção Primária no Rio de Janeiro”, completa. De acordo com Nunes, tanto a associação quanto o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed) têm protocolado, diariamente, pedidos de audiência com o prefeito que, por ora, foram ignorados.
“Quem está fechando as clínicas não são os médicos, é o Crivella”, lamenta Nunes. Ele refere-se às clínicas da família, serviço na capital fluminense similar ao das Unidades Básicas de Saúde em São Paulo e outras cidades, e que são fundamentais para a efetivação da Estratégia Saúde Família. Segundo Nunes, do total de 227 clínicas, 160 aderiram à greve, o que envolve cerca de 800 dos 1.200 médicos da área.
Campanha
A paralisação tem como motivo principal a sombria previsão orçamentária da cidade do Rio de Janeiro para o ano que vem, que seria ainda menor do que o gasto em 2017. A proposta para o orçamento de 2018 está em discussão na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro.
Em campanha, o então candidato Marcelo Crivella prometeu, a cada ano, 250 milhões de reais a mais para a área da saúde. Promessa descumprida logo em seu primeiro ano como prefeito (segundo a agência de checagem Lupa). Apenas em 2017, o corte na saúde foi de mais 500 milhões.
Moisés Nunes ainda lista outros motivos para a eclosão do movimento grevista:
– Atraso ou o pagamento apenas parcial de salários;
– E o desabastecimento de medicamentos e materiais básicos nas unidades de saúde.
Também há uma nota, divulgada na página do SinMed, com mais detalhes sobre os motivos da greve. A próxima assembleia para avaliar e decidir os rumos do movimento será em 6 de novembro.
Apoio
Os médicos de família e comunidade, em assembleia realizada em 19 de outubro, declararam greve a partir do dia 26. No dia seguinte ao início da paralisação, em 27 de outubro, os residentes da área decidiram aderir ao movimento. Em 30 de outubro, foi a vez dos auxiliares e técnicos de enfermagem também entrarem em greve. Moisés Nunes, em entrevista ao Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), fez questão de agradecer e lembrar das muitas entidades e sindicatos, sejam ou não da área médica, que já manifestaram apoio.
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Nelson Nahon, em reunião com os médicos, disse que o conselho é solidário ao movimento e cobrou da prefeitura um cronograma de pagamento dos salários em atraso.
“Os profissionais precisam ter uma previsão de pagamento de seus salários. A Estratégia Saúde da Família é fundamental para a assistência da população, principalmente por conta da crise nas unidades de saúde estaduais e federais, que têm reduzido atendimentos e serviços. O prefeito precisa resolver esta questão o mais rápido possível”, disse (para ler o texto na página do Cremerj, clique aqui).