07/01/2022 | Notícia Simesp

Em assembleia, médicas e médicos da APS deliberam contra a sobrecarga e adoecimento de profissionais


Na quinta-feira, 6 de janeiro, os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) da capital se reuniram em uma bem sucedida assembleia com o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp). Com mais de cem médicos presentes, eles confirmaram as inúmeras denúncias que estamos recebendo de afastamentos por contaminação e de intensa sobrecarga em hospitais e unidades de saúde com o atual aumento de casos de síndromes respiratórias, causados pela Influenza H3N2 e por uma possível nova onda de Covid. Foram comuns os relatos de falta de trabalhadores suficientes durante toda a pandemia e de desabastecimento de medicamentos, EPI e insumos.

De uma médica, ouvimos, “Todos estão muito cansados. Os profissionais estão adoecidos ou de Covid, ou de Influenza, ou de burnout”. Outro colega relatou: “Em São Paulo, colocaram nas costas da APS o combate à pandemia [de Covid] e epidemia de gripe sem contratar profissionais novos. […] A gente tá sufocado.”

Tudo isso vem logo após uma grave arbitrariedade da Prefeitura. Menos de uma semana após ser decretado o ponto facultativo com o fechamento das UBS em 24 e 31 de dezembro, voltou-se atrás e obrigaram os profissionais de saúde a cumprir plantões nas datas. O que foi avisado aos médicos com apenas um dia de antecedência, levando-os a se reuniram em assembleia com o Simesp no último dia 23. No dia seguinte, eles lançaram uma carta aberta para denunciar a situação.

No entanto, a Prefeitura e as OSS não estão dispostas ao diálogo. Diante de todo esse cenário, os médicos se viram na necessidade de pensar em conjunto sobre estratégias de mobilização para impedir o verdadeiro desmonte da APS que se desenha. Cada vez mais, o seguimento de pacientes crônicos, coordenação do cuidado integral, prevenção de doenças, promoção de saúde, cura e reabilitação vem dando lugar a questionáveis fluxos de testes, vacinação e atendimento de pacientes com síndrome gripal, sem a contratação de mais trabalhadores da saúde. 

Na assembleia desta semana, eles reafirmaram as exigências da carta anterior e acrescentaram reivindicações:

  • Contratação imediata de equipes com profissionais médicos para o atendimento de sintomáticos respiratórios em tendas nas UBS ou gripários;
  • Garantia de condições mínimas de trabalho: medicações básicas nas farmácias, EPI e infraestrutura para atendimento; 
  • O comparecimento de médicas e médicos nas UBS em que trabalham, em fins de semana e feriados, não pode ser obrigatório. Embora possa ser oferecido para profissionais que se dispuserem voluntariamente. Caso aceitem, deve ser realizado pagamento como hora extra (com adicional de 100%) ou como banco de horas em dobro. Caso não haja profissionais suficientes, devem ser contratados profissionais plantonistas. Portanto, a possibilidade de funcionamento de cada serviço deve ser individualizada conforme os recursos. Deve ser oferecida a possibilidade de pagamento em horas extras aos profissionais que possuem banco de horas, no entanto, sem os obrigar a trabalhar tais horas e reestruturando a contratação de profissionais para períodos de emergência epidemiológica;
  • Respeito aos trabalhadores de saúde, informando com antecedência mínima de 30 dias e sempre de forma oficial sobre a abertura de unidades em finais de semana e feriados; 
  • Reajuste salarial no mínimo de acordo com a inflação;
  • Retomada dos espaços de discussão com a Prefeitura (mesa técnica Covid), com a participação da Associação Paulista de Medicina de Família e Comunidade (APMFC) na mesa.

Por fim, foi deliberado o envio de um ofício à Prefeitura e às OSS, solicitando respostas e uma reunião com o Simesp dentro de uma semana. Ao fim deste prazo, ficou determinada a realização de uma assembleia em 13 de janeiro de 2022 com indicativo de paralisação da categoria que atua na APS.



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