Na quinta-feira, 6 de janeiro, os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) da capital se reuniram em uma bem sucedida assembleia com o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp). Com mais de cem médicos presentes, eles confirmaram as inúmeras denúncias que estamos recebendo de afastamentos por contaminação e de intensa sobrecarga em hospitais e unidades de saúde com o atual aumento de casos de síndromes respiratórias, causados pela Influenza H3N2 e por uma possível nova onda de Covid. Foram comuns os relatos de falta de trabalhadores suficientes durante toda a pandemia e de desabastecimento de medicamentos, EPI e insumos.
De uma médica, ouvimos, “Todos estão muito cansados. Os profissionais estão adoecidos ou de Covid, ou de Influenza, ou de burnout”. Outro colega relatou: “Em São Paulo, colocaram nas costas da APS o combate à pandemia [de Covid] e epidemia de gripe sem contratar profissionais novos. […] A gente tá sufocado.”
Tudo isso vem logo após uma grave arbitrariedade da Prefeitura. Menos de uma semana após ser decretado o ponto facultativo com o fechamento das UBS em 24 e 31 de dezembro, voltou-se atrás e obrigaram os profissionais de saúde a cumprir plantões nas datas. O que foi avisado aos médicos com apenas um dia de antecedência, levando-os a se reuniram em assembleia com o Simesp no último dia 23. No dia seguinte, eles lançaram uma carta aberta para denunciar a situação.
No entanto, a Prefeitura e as OSS não estão dispostas ao diálogo. Diante de todo esse cenário, os médicos se viram na necessidade de pensar em conjunto sobre estratégias de mobilização para impedir o verdadeiro desmonte da APS que se desenha. Cada vez mais, o seguimento de pacientes crônicos, coordenação do cuidado integral, prevenção de doenças, promoção de saúde, cura e reabilitação vem dando lugar a questionáveis fluxos de testes, vacinação e atendimento de pacientes com síndrome gripal, sem a contratação de mais trabalhadores da saúde.
Na assembleia desta semana, eles reafirmaram as exigências da carta anterior e acrescentaram reivindicações:
Por fim, foi deliberado o envio de um ofício à Prefeitura e às OSS, solicitando respostas e uma reunião com o Simesp dentro de uma semana. Ao fim deste prazo, ficou determinada a realização de uma assembleia em 13 de janeiro de 2022 com indicativo de paralisação da categoria que atua na APS.