Médicos que trabalham em hospitais e instituições públicas no Estado de São Paulo decidiram realizar em outubro um dia de paralisação de advertência. A decisão foi tomada na terça-feira (12/9) em assembleia realizada na sede do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).
Dentre as reivindicações da categoria estão a implantação do piso salarial da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), no valor de R$ 9.188,22 para jornada de 20 horas semanais, e o cumprimento da promessa feita pelo Estado de implantar, ainda este ano, o Plano de Carreira, Cargos e Salários para os médicos (PCCS).
Os participantes da assembleia criticaram a declaração do governador Geraldo Alckmin, em recente entrevista ao “Programa do Jô” (Rede Globo – 30/08), de que o PCCS será implantado somente em 2012, contrariando o que vem anunciando a Secretaria Estadual da Saúde de que o mesmo seria discutido e implantado a partir de outubro deste ano (2011).
Também foi estabelecida a formação de uma comissão para organização do movimento, com integrantes de diversos hospitais do Estado. A paralisação de advertência tem como data indicativa o dia 18 de outubro, mas será definida na próxima assembleia dos médicos servidores do Estado, agendada para o próximo dia 3.
Greve continua em Ribeirão Preto
Médicos do Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto também participaram da assembleia. Eles estão em greve há 80 dias. Reivindicam equiparação salarial com profissionais de outros dois hospitais públicos estaduais: Mater e Hospital Estadual de Ribeirão Preto.
As reivindicações também mobilizam médicos do Hospital Estadual de Bauru, do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo (Iamspe), do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER) e do Departamento de Perícias Médicas do Estado de São Paulo. O salário base do médico, em início de carreira, contratado pelo governo do Estado é de R$ 414,30. Além disso, os pagamentos por plantões são baixos, próximos R$ 600,00 para jornada de 12h. A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do IIER, por exemplo, em virtude dos péssimos salários oferecidos, corre risco de fechamento por falta de profissionais, já que no último concurso público nenhum candidato compareceu para realizar as provas de admissão.
O presidente do Simesp, Cid Carvalhaes, disse que a situação da categoria “é degradante e imoral com salários baixos, falta de profissionais e péssimas condições de trabalho”. Carvalhaes admitiu que a greve de Ribeirão Preto ameaça se espalhar por outros hospitais públicos em São Paulo.